Estrangeirização da terra no século XXI: land grabbing, financeirização do agronegócio sucroenergético brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33081/33%25p

Palavras-chave:

Agronegócio Sucroenergético, Concentração Fundiária, Financeirização da Agricultura, Land Grabbing

Resumo

Este artigo analisa a estrangeirização da terra em escala global e seus impactos no setor sucroenergético brasileiro, com ênfase no land grabbing (apropriação massiva de terras por agentes transnacionais). O objetivo geral é compreender como esse fenômeno reconfigura territórios, concentra renda e compromete a soberania nacional, enquanto o problema central reside na relação entre a financeirização da agricultura, a alta demanda por biocombustíveis e resulta no aprofundamento de desigualdades socioespaciais. Justifica-se pela relevância multidimensional do tema: economicamente, reforça ciclos especulativos; socialmente, intensifica expulsões de comunidades tradicionais; ambientalmente, degrada biomas; e politicamente, questiona o papel do Estado na mediação entre desenvolvimento e soberania. Metodologicamente, utiliza-se análise documental de relatórios da Land Matrix (2021), dados do IBGE (Censo Agropecuário, 2017), estudos de caso do setor sucroenergético e revisão crítica de autores como Sassen (2013) e Borras Jr..et al., (2020). Os resultados evidenciam que, no Brasil, 84% dos estabelecimentos rurais são pequenas propriedades (<10 hectares), responsáveis por 65% da mão de obra, enquanto grandes latifúndios (>1.000 hectares), 1,7% do total, dominam extensões territoriais. A produção de etanol saltou de 10,5 para 35,5 bilhões de litros (2000-2020), impulsionando conflitos fundiários e degradação ambiental no território brasileiro. Conglomerados transnacionais, como Raízen e Cargill, controlam cadeias produtivas via paraísos fiscais, enquanto a produção concentra-se em estados como São Paulo (50% do total nacional). Conclui-se que a estrangeirização consolida um modelo extrativista, priorizando rentabilidade imediata em detrimento da sustentabilidade socioecológica, exigindo políticas públicas que equilibrem investimentos externos, direitos territoriais e preservação ambiental.

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Biografia do Autor

  • Daniel Féo Castro de Araújo, Universidade Federal de Uberlândia
    Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Uberlândia. Licenciado e bacharel em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia. Participou do Programa de Educação Tutorial (PET/Reconectando Saberes) no ano de 2010-12. Atuou como bolsista de Iniciação Cientifica do Projeto "Rede de Educação Popular" vinculado ao grupo de pesquisa em Educação e Culturas Populares GPECOP e o Programa de Pós graduação em Educação da FACED/UFU, no ano de 2013. Membro do grupo de pesquisa GEPEAT (Grupo de Estudos e Pesquisa Agrárias e Trabalho). É membro da Rede de Pesquisas sobre Regiões Agrícolas - REAGRI. Principais temas de pesquisa: Modernização territorial, dinâmica dos lugares, redes e circuitos espaciais de produção, circuitos da economia urbana, região e regionalização, regiões agrícolas, agronegócio e dinâmicas territoriais, urbanização e agronegócio, globalização e política
  • Fernando Luiz Araújo Sobrinho, Professor do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade de Brasília – UnB.

    Professor do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade de Brasília – UnB.

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Publicado

2026-08-04

Como Citar

Estrangeirização da terra no século XXI: land grabbing, financeirização do agronegócio sucroenergético brasileiro. Formação (Online), Presidente Prudente, v. 33, n. 00, p. e026004, 2026. DOI: 10.33081/33%p. Disponível em: https://revista.fct.unesp.br/index.php/formacao/article/view/9645. Acesso em: 14 ago. 2026.

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