Certificação e disputa territorial na Amazônia: a experiência da Cooperativa de Produtos Orgânicos do Xingu (COOPOXIN) em Brasil Novo, Pará
DOI:
https://doi.org/10.33081/33e026010Palavras-chave:
Produção orgânica, cooperativismo, organização do territórioResumo
Este artigo analisa a experiência da Cooperativa de Produtos Orgânicos do Xingu (COOPOXIN) em Brasil Novo, Pará, como estratégia de organização territorial e resistência frente à lógica do capital e ao abandono estatal na Amazônia. Criada em 2005, a cooperatirentesca reorganizar a cadeia produtiva do cacau a partir da lógica orgânica, promovendo a certificação orgânica, a qualidade das amêndoas e o acesso a mercados nacionais e internacionais. Com abordagem quali-quantitativa, o estudo demonstra que a COOPOXIN atua em quatro municípios (Brasil Novo, Uruará, Medicilândia e Altamira), agregando 52 produtores até 2021. Os resultados revelam desafios como a transição do modelo convencional para o orgânico, a escassez de crédito para pequenos agricultores e a necessidade de adequação a certificações rigorosas (como USDA Organic e União Europeia). Apesar dos desafios territoriais, econômicos e culturais, a cooperativa fortalece uma identidade territorial, com a valorização do cacau da Transamazônica e oferece alternativas à exploração por atravessadores e grandes empresas, reestruturando as relações de trabalho, promovendo práticas sustentáveis e ecológicas. Desde modo, é possível destacar que o cooperativismo, na experiência da COOPOXIN, vem sendo uma ferramenta essencial para o desenvolvimento local, transformando a lógica produtiva e inserindo os agricultores em mercados justos, construindo de pelo exercício da disputa no campo, um novo reordenamento do território.
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