Crise Ecológica e Desterreação do Trabalho Embarcado no Pantanal Sul-Mato-Grossense /Ecological crisis and the desterreamento of embarked labor in the Pantanal of Mato Grosso do Sul / Crisis ecológica y desterreamiento del trabajo embarcado en el Pantanal ubicado en el estado de Mato Grosso del Sur
DOI:
https://doi.org/10.1590/1806-675520262911249Palavras-chave:
Trabalho embarcado, Crise ecológica, Desterreação, PantanalResumo
Embora frequentemente abordadas a partir de seus efeitos ambientais e das alterações nas paisagens, as mudanças climáticas constituem, em essência, uma manifestação da crise estrutural do capital. Essa crise se materializa em fenômenos como secas, queimadas, escassez de recursos e degradação dos solos. No Pantanal Sul-Mato-Grossense, o trabalho embarcado exercido por pescadores, isqueiros, piloteiros e comandantes de chalana, tem sido profundamente afetado por esse processo. O objetivo deste trabalho é problematizar a hipótese de que a chamada mudanças climáticas constitui uma manifestação da própria crise do capital, instrumentalizada como forma de dominação e expulsão simbólica e material dos trabalhadores embarcados e que aqui a compreendemos enquanto crise ecológica. A pesquisa, fundamentada no materialismo histórico-dialético, utilizou revisão bibliográfica, análise de dados climáticos e de uso e ocupação da terra, além de trabalho de campo realizado entre 2022 e 2023 na Comunidade Passo do Lontra (Corumbá-MS), recorte espacial deste estudo. Identificou-se que os conflitos pela água e pela terra, a precarização laboral e a degradação ambiental estão profundamente entrelaçadas. Nesse contexto, a crise ecológica atua como força de desterreamento, rompendo vínculos entre natureza, trabalho e comunidade, e aprofundando as desigualdades que atingem aqueles que vivem e resistem nesses territórios.
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