A organização espacial do comércio ambulante na cidade do Rio de Janeiro (RJ)

reflexões a partir das práticas e dinâmicas de trabalho dos mateiros nas praias cariocas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35416/2025.10834

Palavras-chave:

Economia urbana, Comércio ambulante, Mateiros, Circuitos de economia

Resumo

As praias da cidade do Rio de Janeiro são espaços nos quais variadas atividades são desempenhadas, com destaque para o comércio ambulante de mate, limonada e biscoito Globo, reconhecido como patrimônio cultural imaterial carioca (Rio de Janeiro, 2012). Os chamados mateiros, caracterizados por utilizarem um uniforme alaranjado, percorrem as areias com dois galões em seus ombros e uma sacola contendo biscoitos de polvilho para vender seus produtos. Porém, embora a comercialização ocorra predominantemente nas praias, a atividade se articula com outros agentes econômicos distribuídos por diferentes pontos da cidade, desde a produção até a venda. O artigo busca compreender, assim, como essa atividade se insere na economia urbana à luz da teoria dos dois circuitos de Milton Santos (1979). Os resultados permitiram identificar a organização espacial dos agentes que compõem a atividade, as transformações pós-pandêmicas e as práticas de comercialização nas praias, com base na aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas, além de percursos comentados e trabalhos de campo realizados em três arcos praianos: Leme-Copacabana, Arpoador-Leblon e Barra da Tijuca.

 

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Biografia do Autor

  • Caio Baranda Oliveira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro – Rio de Janeiro (RJ) – Brasil. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGG-UFRJ). 

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Publicado

2025-10-10

Como Citar

A organização espacial do comércio ambulante na cidade do Rio de Janeiro (RJ): reflexões a partir das práticas e dinâmicas de trabalho dos mateiros nas praias cariocas. Geografia em Atos (Online), Presidente Prudente, v. 9, n. 00, p. e025011, 2025. DOI: 10.35416/2025.10834. Disponível em: https://revista.fct.unesp.br/index.php/geografiaematos/article/view/10834. Acesso em: 19 jan. 2026.

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