A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO INÍCIO DO SÉCULO XX : O ADVENTO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Leny Cristina Soares Souza Azevedo, Maria Cristina dos Santos Peixoto

Resumo


Neste artigo, propomos analisar os saberes e práticas incorporadas às memórias pessoais e sociais de dois depoentes que estiveram na Escola Normal de Campinas nas primeiras décadas do século XX. Com base nas associações feitas através dos depoimentos (ex-aluna e ex-professor), buscamos compreender as contradições e a especificidade dos mecanismos que produziram as memórias e a História da primeira escola pública de formação de professores em Campinas/SP. Destacam-se nessa pesquisa o diálogo entre as entrevistas feitas com os depoentes, os documentos que testemunham a época – legislações, textos escritos em jornais, fotografias dentre outros que apresentam uma sucessão de acontecimentos e registram a organização do espaço escolar, as condições materiais da escola e a metodologia de trabalho desenvolvido. Esse intrincado percurso vivenciado nos anos 30 aponta a construção do debate sobre a necessidade de um sistema público de ensino (gratuito, democrático e laico), vinculado ao discurso do compromisso do Estado com a formação de professores primários. Os valores transmitidos nesse momento foram portadores e fizeram parte de um projeto de nação a ser construído por meio da educação escolar no sentido de aprimorar a docência como uma prática experimental e científica, associada à profissionalização. No rastro dos dados coletados são evidenciadas as configurações, tempos e linguagens que permeiam o projeto de crescimento e desenvolvimento do país, considerando a educação como propulsora do progresso e instrumento de reconstrução nacional, em conformidade com as aspirações de promoção e ascensão social. Estiveram presentes na “Normal de Campinas”, movimentos contraditórios, que ora exaltavam o poder da formação de professores nessas escolas, ora denunciavam seus problemas e suas deficiências. Face a essas considerações, torna-se imprescindível ressituar, no contexto educacional, o círculo de ideias, amizades e lutas que circulavam na época a respeito do papel da escola para o desenvolvimento moral e intelectual dos jovens estudantes candidatos à docência.

http://dx.doi.org/10.14572/nuances.v20i21.1103


Palavras-chave


Memória; cultura escolar; formação de professores; História da Educação

Texto completo:

ARTIGO


DOI: https://doi.org/10.14572/nuances.v20i21.1103


Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia/Unesp - Presidente Prudente.

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