A construção de territórios por mulheres negras por meio do hip hop: Aproximações teóricas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35416/geoatos.v1i16.7286

Resumo

O racismo evidencia-se como maléfico para a população negra e quando combinado com gênero resulta nas mulheres negras que têm suas vidas condicionadas por estes fatores – raça e gênero –, construindo o espaço geográfico e estabelecendo territórios de forma diferenciada do restante dos grupos sociais. Neste sentido, o presente ensaio teórico objetiva explanar a respeito das potencialidades que a Geografia possui na investigação da realidade vivenciada pelas mulheres negras, para tanto, utiliza-se a categoria Território como norteadora do estudo e a cultura Hip Hop – especificamente o elemento rap – como forma de observar e analisar a materialização das mulheres negras no espaço geográfico. Deste modo, o tema da pesquisa são as mulheres negras, relacionando-as ao racismo, ao gênero, ao território e ao Hip Hop. O Hip Hop é uma cultura com grande potencial para a luta dessas mulheres negras por equidade e elas precisam explorá-lo a fim de afirmar sua identidade, denunciar as situações vivenciadas e reivindicar suas pautas, além disso, as Geografias Feministas e de Gênero possuem inúmeras contribuições no entendimento das espacialidades das mulheres negras. Por meio desta pesquisa, espera-se contribuir para o aumento das discussões relacionadas ao racismo e ao gênero interligados, para o fomento de outras pesquisas que investiguem essa temática na ciência geográfica e para maior visibilidade ao Hip Hop e às mulheres negras inseridas nessa realidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ana Carolina dos Santos Marques, Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Campus de Presidente Prudente - UNESP/FCT

Licenciada e Bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina. Especialista em Ensino de Geografia pela mesma instituição. Mestranda em Geografia pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho - Campus de Presidente Prudente (FCT/UNESP)

Ricardo Lopes Fonseca, Universidade Estadual de Londrina

Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual de Maringá. Mestre e Doutor em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Londrina. Docente do Departamento de Geociências da Universidade

A CONSTRUÇÃO DE TERRITÓRIOS POR MULHERES NEGRAS POR MEIO DO HIP HOP: APROXIMAÇÕES TEÓRICAS

Estadual de Londrina

Referências

ADICHIE, C. N. Sejamos todos feministas. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

BEAUVOIR, S. O segundo sexo: a experiência vivida. 2 ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1967.

BEAUVOIR, S. O segundo sexo: fatos e mitos. 4 ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1970.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CARNEIRO, S. Mulheres em movimento. Estudos avançados, São Paulo, v. 17, n. 49, p. 117-132, 2003a.

CARNEIRO, S. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero. In: ASAKA Empreendedores sociais; TAKANO Cidadania (Orgs.). Racismos contemporâneos. Rio de Janeiro: Takano Editora, 2003b.

CNMP. Sistema Prisional em Números. 2018. Disponível em: <http://www.cnmp.mp.br/portal/relatoriosbi/sistema-prisional-em-numeros>. Acesso em: 08 nov. 2018.

COCA, E. L. F.. Uma revisão sobre o conceito/categoria de território. Revista de Geografia (UFPE), Recife, v. 31, n. 3, p. 96-112, 2014.

GALVÃO, A. P. Dossiê violência contra as mulheres. 2016. Disponível em: <http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossies/violencia/violencias/violencia-e-racismo/#por-que-abordar-a-questao-racial >. Acesso em: 23 jun. 2018.

GOMES, N. L. Movimento Negro e educação: ressiginificando e politizando a raça. Educação e Sociedade, Campinas, v. 33, n. 120, p. 727-744, jul./set. 2012.

GONZALES, L. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Ciências Sociais Hoje, São Paulo, p. 223-244, 1984.

GONZALES, L. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 92/93, p. 69-82, jan./jun. 1988.

GUIMARÃES, A. S. Preconceito e discriminação: queixas e ofensas no tratamento desigual dos negros no Brasil. Salvador: Novos Toques, 1998.

HAESBAERT, R. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

HAESBAERT, R. Território e multiterritorialidade: um debate. GEOgraphia, Porto Alegre, v. 9, n. 17, p. 19-46, 2007.

IBGE, I. B. G. E. Estatísticas de Gênero: Indicadores sociais das mulheres no Brasil. 2018. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/9d6f4faeda1f1fb7532be7a9240cc233.pdf>. Acesso em: 02 ago. 2018.

IPEA; FBSP. Atlas da Violência 2018. 2018. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/relatorio_institucional/180604_atlas_da_violencia_2018.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2018.

MACHADO, C. G. R. O ensino de Geografia e o hip hop. 2012. 176 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012.

MATSUNAGA, P. S. Mulheres no hip hop: identidades e representações. 2006. 209 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006.

MENEZES, M.; FREITAS, W. A renda de mulheres e homens conforme a escolaridade. 2015. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/interativo/2015/11/30/A-renda-de-mulheres-e-homens-conforme-a-escolaridade>. Acesso em: 02 ago. 2018.

MONK, J.; HANSON, S. Não excluam metade da humanidade da geografia humana. In: SILVA, Joseli Maria; ORNAT, Marcio Jose; CHIMIN JUNIOR, Alides Baptista (Org.). Geografias feministas e das sexualidades: encontros e diferenças. Ponta Grossa: Todapalavra, 2016, p. 31-54.

PETRUCCELLI, J. L. Raça, identidade e identificação: abordagem histórico conceitual. In: PETRUCCELLI, J. L.; SABOIA, A. L. Características étnico-raciais da população: classificações e identidade. 2 ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2013, p. 13-29.

RAFFESTIN, C. Por um Geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993.

REIS, M. L. Estudos de gênero na Geografia: uma análise feminista na produção do espaço. Espaço e Cultura, Rio de Janeiro, n. 38, p. 11-34, jul./dez. 2015.

RIBEIRO, D. O que é: lugar de fala. 1ed. Belo Horizonte: Letramento / Justificando, 2017.

SANT’ ANA, A. O. História e Conceitos Básicos sobre o Racismo e seus Derivados. In: MUNANGA, Kabengele (Org.). Superando o Racismo na escola. 2. ed. Brasília: Ministério da Educação, Secretária de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005, p. 39-67.

SANTOS, L. H. As letras de rap do movimento hip-hop como desdobramento do processo de segregação sócioespacial: antigamente quilombos, hoje periferia. 2013. 103 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Estadual de São Paulo, Rio Claro, 2013.

SAQUET, M. A. Território e identidade. In: Encontro de Geógrafos da América Latina, 10, 2005, São Paulo. Anais... São Paulo: USP, 2005. p. 13869-13881.

SILVA, J. M. Fazendo geografias: pluriversalidades sobre gênero e sexualidades. In: SILVA, J. M. (Org.). Geografias subversivas: discurso sobre espaço, gênero e sexualidades. 1 ed. Ponta Grossa: Todapalavra, 2009a. p. 25-54.

SILVA, J. M. Geografias feministas, sexualidades e corporalidades: desafios às práticas investigativas da ciência geográfica. In: _____ (Org.). Geografias subversivas: discurso sobre espaço, gênero e sexualidades. 1 ed. Ponta Grossa: Todapalavra, 2009b. p. 93-114.

SILVA, M. N. O negro no Brasil: um problema de raça ou de classe?. Meditações, Londrina, v. 5, n. 2, p. 99-124, jul./dez. 2000.

SOUZA, A. R. M. A favela de influência: uma análise das práticas discursivas dos Racionais MCs. 2004. 315 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.

TURRA NETO, N. Espaço e lugar no debate sobre território. Geograficidade, Niterói, v. 5, n. 1, p. 52-59, dez./mar. 2015.

WAISELFIZS, J. J. Mapa da violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil. 2015. Disponível em: <https://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2015/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2018.

WIEVIORLA, M. O racismo, uma introdução. 1 ed. São Paulo: Perspectiva, 2007.

XAVIER, D. P. Repensando a periferia no período popular da história: o uso do território pelo Hip Hop. 2005. 128 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2005.

Downloads

Publicado

2020-02-28

Como Citar

DOS SANTOS MARQUES, A. C.; LOPES FONSECA, R. A construção de territórios por mulheres negras por meio do hip hop: Aproximações teóricas. Geografia em Atos (Online), Presidente Prudente, v. 1, n. 16, p. 20–44, 2020. DOI: 10.35416/geoatos.v1i16.7286. Disponível em: https://revista.fct.unesp.br/index.php/geografiaematos/article/view/7286. Acesso em: 22 abr. 2024.