TERRITÓRIO E RESISTÊNCIA ENTRE COCOS E CERCAS
quebradeiras de coco babaçu no Bico do Papagaio (TO) e os desafios socioterritoriais em torno da Reserva Extrativista do Extremo Norte do Tocantins
Resumo
As quebradeiras de coco babaçu são trabalhadoras rurais e extrativistas cuja subsistência e geração de renda dependem do aproveitamento do coco babaçu (Attalea speciosa), palmeira nativa da Amazônia brasileira. O artigo investiga as mudanças na vida das quebradeiras de coco babaçu nos povoados de Caxeado, Vinte Mil, Centro dos Ferreira e Centro dos Firmino, em Carrasco Bonito, após a criação da Reserva Extrativista do Extremo Norte do Tocantins (REENT), analisando suas percepções, os desafios socioterritoriais de permanência e as estratégias de manutenção do modo de vida extrativista. A pesquisa se baseia na socioterritorialidade e na análise de políticas públicas na Amazônia, a partir da abordagem qualitativa e da metodologia do estudo de caso. Como procedimentos metodológicos, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, observações, registros em diário de campo e a análise dos dados foi realizada por meio da técnica de conteúdo de Bardin (2011). Os resultados indicam que a criação da REENT gerou impactos socioterritoriais limitados, além de efeitos negativos, como a não desapropriação de fazendas na área da reserva, o distanciamento entre as políticas públicas e o cotidiano das quebradeiras, as dificuldades de acesso aos babaçuais, a dependência em relação aos proprietários privados, a fragilidade das políticas públicas e a baixa adesão dos jovens ao extrativismo, comprometendo a continuidade desse modo de vida.
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