Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10720 1
ABUSO SEXUAL NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: PERCEPÇÕES
RETROSPECTIVAS DE ESTUDANTES
ABUSO SEXUAL EN LAS CLASES DE EDUCACIÓN FÍSICA: PERCEPCIONES
RETROSPECTIVAS DE ESTUDIANTES
SEXUAL ABUSE IN PHYSICAL EDUCATION CLASSES: RETROSPECTIVE
PERCEPTIONS OF STUDENT
Carolina PEREIRA MACHADO
1
e-mail: carolinapmachado03@gmail.com
Paula BIANCHI
2
e-mail: pbianchi@us.es
Angelita Alice JAEGER
3
e-mail: angelita@ufsm.br
Como referenciar este artigo:
PEREIRA MACHADO, Carolina; BIANCHI, Paula; JAEGER,
Angelita Alice. Abuso sexual na educação física escolar:
percepções retrospectivas de estudantes. Nuances: Estudos sobre
Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-
ISSN: 2236-0441. DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10720
| Submetido em: 10/11/2024
| Revisões requeridas em: 12/09/2025
| Aprovado em: 05/10/2025
| Publicado em: 04/11/2025
Editora:
Profa. Dra. Rosiane de Fátima Ponce
1
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria Rio Grande do Sul (RS) Brasil. Mestra em
Ciências do Movimento e Reabilitação. Professora de educação física na prefeitura de Candelária/RS.
2
Universidade de Sevilla (US), Sevilla Andalucía España. Doutora em Educação Física.
Professora no
departamento de Motricidad humana y rendimiento deportivo, Facultad de Ciencias de la Educación.
3
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria Rio Grande do Sul (RS) Brasil. Doutora em
Ciências do Movimento Humano Professora associada no departamento de métodos e técnicas desportivas.
Abuso sexual na educação física escolar: percepções retrospectivas de estudantes
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10720 2
RESUMO: Nesta pesquisa, objetivou-se conhecer a percepção retrospectiva de estudantes
sobre o abuso sexual na educação física escolar. Primeiramente, responderam a um questionário
212 estudantes dos cursos de Educação Física Licenciatura e Bacharelado de uma
universidade pública do Rio Grande do Sul e, a seguir, 9 aceitaram participar de uma entrevista
semiestruturada individual. Os resultados revelam uma prevalência alarmante (40%) de
testemunhas e uma incidência muito alta (20%) de vítimas do abuso sexual na educação física
escolar, sendo as meninas e as adolescentes as principais vítimas desse tipo de comportamento.
As formas de violência sexual mais recorrentes são os olhares ou gestos sugestivos, comentários
de natureza sexual, toques indesejados e piadas de caráter sexual. Como estratégia de melhora,
a pesquisa destaca a necessidade de educar sobre consentimento e respeito, assim como criar
ambientes seguros e implementar políticas eficazes de denúncia na escola.
PALAVRAS-CHAVE: Abuso sexual de crianças e adolescentes. Educação Física. Escola.
RESUMEN: En esta investigación, el objetivo consistió en conocer la percepción retrospectiva
de estudiantes sobre el abuso sexual en la educación física escolar. Participaron un total de
212 estudiantes de dos grados en Ciencias de la Actividad Física y del Deporte de una
universidad pública de Rio Grande do Sul, quienes respondieron a un cuestionario.
Posteriormente, 9 aceptaron participar en una entrevista individual semiestructurada. Los
resultados apuntan una prevalencia alarmante (40%) de testigos y una incidencia muy alta
(20%) de víctimas de abuso sexual en la educación física escolar, siendo las niñas y las
adolescentes las principales víctimas de este tipo de comportamientos. Miradas o gestos
sugestivos, comentarios y bromas sexuales y tocamientos no deseados son las formas más
frecuentes. Como estrategia de mejora, se señala la necesidad de educar sobre el
consentimiento y el respeto, así como crear entornos seguros e implementar políticas eficaces
de denuncia en la escuela.
PALABRAS CLAVE: Abuso sexual infantil y adolescente. Educación Física. Escuela.
ABSTRACT: In this research, the objective was to examine the retrospective perceptions of
students regarding sexual abuse in school physical education. Initially, 212 students from
Physical Education undergraduate programsTeacher Education and Bachelor´s degreeat
a public university in Rio Grande do Sul completed a questionnaire. Subsequently, nine students
agreed to participate in individual semi-structured interviews. The results reveal an alarming
prevalence (40%) of witnesses and a very high incidence (20%) of victims of sexual abuse in
school physical education, with girls and adolescent young women identified as a primary
victim of such behavior. The most common forms of sexual violence include suggestive looks or
gestures, sexually explicit comments, unwanted touching, and sexual jokes. As a proposal for
improvement, the study highlights the need to provide education on consent and respect, as well
as to create safe environments and implement effective reporting policies within schools.
KEYWORDS: Sexual Abuse of children and adolescents. Physical Education. School.
Carolina PEREIRA MACHADO; Paula BIANCHI e Angelita Alice JAEGER
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10720 3
Introdução
A violência sexual é um fenômeno persistente em nossa sociedade, sendo as mulheres
as principais vítimas. Em 2021, mais de 26 milhões de brasileiras relataram ter sofrido alguma
forma de assédio sexual. A forma recorrente desse crime é a violência verbal, manifestada por
meio de comentários desrespeitosos e cantadas indesejadas em diferentes espaços, como, por
exemplo, no ambiente de trabalho, transporte público e nas vias públicas (Fórum Brasileiro de
Segurança Pública, 2021). Crianças e adolescentes também figuram entre as principais vítimas
de violência sexual, sofrendo impactos potencialmente mais severos, uma vez que necessitam
de atenção e apoio específicos para superar o trauma e o sofrimento físico e psicológico
decorrentes dessas experiências (Nascimento; Sibila; Guariglia, 2020). Entre as consequências
mais frequentes estão a baixa autoestima, depressão e retraimento social, frequentemente
associados à vergonha pelo abuso vivido (Fonseca et al., 2018). Além dos danos emocionais,
pesquisas apontam desdobramentos físicos e sexuais, revelando a gravidade multidimensional
do problema (Cruz et al., 2021). O abuso sexual é considerado um problema de saúde pública,
tanto pelas elevadas taxas de ocorrência quanto pelos prejuízos físicos, mentais, psicológicos e
socioafetivos acarretados às vítimas (Habigzang et al., 2005).
No Brasil, entre 2015 e 2021, foram registrados mais de 83 mil casos de abuso sexual
contra crianças e 119 mil contra adolescentes. Em grande parte dos casos, o agressor é um
homem adulto e, muitas vezes, próximo à vítima, como parentes ou conhecidos, o que
intensifica o trauma e dificulta o processo de denúncia (Ministério da Saúde, 2024; Silva;
Meyer; Riegel, 2021). A legislação brasileira, por meio da Lei 13.431/2017 (Brasil, 2017),
define que o abuso sexual infantil é qualquer ato que envolva crianças ou adolescentes para fins
sexuais. Assim, o abuso sexual infantil é qualquer ato que envolva crianças ou adolescentes
para fins sexuais, incluindo desde contatos físicos e condutas libidinosas até manifestações
verbais explícitas, realizadas de forma presencial ou virtual (Leaper; Brown, 2014).
Entre os espaços em que os crimes sexuais podem acontecer, a escola se constituiu como
um ambiente particularmente sensível, uma vez que são passíveis de emergir diversas formas
de relações abusivas (Silva, 2019; Faleiros; Faleiros, 2007). Nesse sentido, Paixão e Souza Neto
(2020) apontam que o abuso sexual no ambiente escolar constitui uma manifestação de poder
que viola a autonomia sexual de crianças e adolescentes. Alguns fatores como a própria
organização institucional das escolas, suas políticas internas e modos de funcionamento podem
aumentar a vulnerabilidade a esses crimes.
Abuso sexual na educação física escolar: percepções retrospectivas de estudantes
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
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Nas aulas de Educação Física, essas questões assumem particular relevância, visto que
é o corpo em movimento que ocupa o centro da aula. Nesses encontros pedagógicos, o contato
físico e a interação social são favorecidos, além de serem realizados em diferentes espaços
como pátio, ginásio, campo, vestiário e banheiros, o que amplia as possibilidades de situações
de violência sexual (Martínez-Baena; Faus-Boscá, 2018).
Embora casos de abuso sexual infantil, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar,
sejam frequentemente noticiados pelos meios de comunicação brasileiros, as investigações
científicas sobre o abuso sexual contra menores praticado no âmbito escolar permanecem
limitadas (Aviram; Tener; Katz, 2023; Timmerman, 2005). A escassez de estudos contribui
para a invisibilização do fenômeno, dificultando a formulação de estratégias preventivas
integradas às instituições de ensino.
O campo da educação sica tem investigado as questões envolvendo o abuso/assédio
sexual em diferentes contextos de práticas corporais e esportivas. Isso inclui o que acontece
com mulheres em academias de ginástica e musculação (Pinheiro; Caminha, 2021) e com
homens no futebol de alto rendimento (Cavalcanti; Capraro, 2019). Entretanto, ainda uma
lacuna importante de pesquisa voltada especificamente ao contexto escolar, particularmente no
contexto das aulas de educação física, que focalize as relações entre docentes e discentes,
espaço em que as características próprias da prática pedagógica podem demandar cuidados
específicos.
Diante desse cenário, esta pesquisa teve como objetivo geral identificar situações de
abuso sexual entre docentes e discentes nas aulas de educação física, a partir das percepções
retrospectivas de estudantes, contribuindo para preencher essa lacuna e fundamentar ações de
prevenção no ambiente escolar.
Metodologia
O presente estudo se caracteriza quanto à sua natureza como uma pesquisa de
abordagem mista (Creswell, 2010); este é um tipo que combina elementos de análise tanto
qualitativos quanto quantitativos no mesmo estudo.
Participantes do estudo
Inicialmente, participaram 212 estudantes (ver Tabela 1) do primeiro ao oitavo semestre
dos cursos de Educação Física Licenciatura e Bacharelado, oriundos de uma universidade
Carolina PEREIRA MACHADO; Paula BIANCHI e Angelita Alice JAEGER
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pública do Rio Grande do Sul, que aceitaram colaborar com a pesquisa. No segundo momento,
foram realizadas entrevistas semiestruturadas individuais com 9 estudantes mulheres. Na
primeira etapa foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: estar devidamente
matriculado/a no curso de Educação Física Licenciatura ou Bacharelado da instituição de
ensino e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecimento (TCLE). na etapa da
entrevista, os critérios de inclusão foram: identificar-se como mulher e aceitar a participação
em entrevista. Como critérios de exclusão foram considerados: negar a assinatura do TCLE,
não preencher todo o questionário e/ou abandonar a entrevista no decorrer da pesquisa.
Tabela 1 Caracterização das/os participantes
Variáveis
Mulheres
Total
Número
84
212
Idade
22.67±
22.63±
Curso
Licenciatura
46
102
Bacharelado
38
110
Orientação Sexual
Heterossexual
45
163
Homossexual
13
16
Bissexual
22
28
Pansexual
2
2
Prefiro não responder
2
3
Fonte: Elaboração das autoras.
Participantes do estudo
Para a produção dos dados, foi utilizado um questionário adaptado do instrumento
aplicado pelo ComiHeForShe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Rosa et al.,
2020) em parceria com o Projeto Meninas na Ciência. A adaptação do questionário consistiu
na exclusão de perguntas referentes ao assédio moral e, ao mesmo tempo, foram acrescentadas
perguntas relacionadas ao abuso sexual no decorrer da educação física escolar. A versão final
do questionário foi testada por um grupo de cinco acadêmicos/as com vistas a conferir a sua
compreensão e aprovada para ser empregada nesta pesquisa. Para analisar os dados produzidos
por meio do questionário, foi utilizada a estatística descritiva baseada na frequência de
respostas. Na segunda etapa da pesquisa, as fontes coletadas foram analisadas a partir da técnica
da análise temática. Todo esse processo de produção da análise temática foi realizado com o
auxílio do software NVIVO 12.
Abuso sexual na educação física escolar: percepções retrospectivas de estudantes
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
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A análise temática foi conduzida seguindo as seis etapas propostas por Braun e Clarke
(2006). Inicialmente, realizou-se a familiarização com os dados, por meio da leitura flutuante e
repetida das transcrições das entrevistas, o que possibilitou uma compreensão ampla do
conteúdo. Em seguida, foram gerados os códigos iniciais, identificando-se unidades de sentido
relevantes ao objetivo da pesquisa. Esses códigos foram posteriormente organizados em
possíveis temas, que passaram por um processo de revisão e refinamento, no qual se avaliaram
suas convergências e divergências em relação à questão investigada. Na etapa subsequente,
ocorreu a definição e nomeação dos temas, buscando precisão conceitual e clareza na
delimitação dos significados. Por fim, na fase de produção do artigo, os dados foram
interpretados e discutidos em diálogo com a literatura da área. A partir desse processo analítico,
emergiram três eixos principais de discussão e análise dos resultados, apresentados a seguir.
Aspectos éticos da pesquisa
A pesquisa foi submetida ao Comide Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP)
da Universidade Federal de Santa Maria. Após a aprovação no CEP (nº de aprovação 6227274)
e antes de produzir as fontes de pesquisa, as pessoas participantes foram convidadas a assinar,
de modo voluntário, o TCLE. Importante destacar que, em todo o processo de produção, análise
e divulgação dos dados, os nomes das pessoas que participaram do estudo não serão
identificados e a possibilidade de abandonar a pesquisa em qualquer etapa foi sempre lembrada.
Resultados
Abuso sexual nas aulas de educação física
A partir dos resultados que emergem desse estudo, é possível perceber que as aulas de
educação física também são espaços em que ocorrem casos de violência sexual contra crianças
e adolescentes. Os dados do estudo realizado mostraram que quase 20% das pessoas
participantes (equivalente a 42, sendo 11 homens e 31 mulheres) foram vítimas de alguma
situação de abuso sexual durante as aulas de educação física escolar. Além disso, mais de 40%
(um total de 90 participantes) relataram ter presenciado algum episódio desse tipo. Segundo
Silva, Meyer e Riegel (2021), a vulnerabilidade física e emocional dessas populações é um
elemento que aumenta o risco de delitos de abuso sexual. Em relação ao perfil das vítimas, os
dados evidenciaram que a maioria (59.8%) são crianças ou adolescentes do sexo feminino,
Carolina PEREIRA MACHADO; Paula BIANCHI e Angelita Alice JAEGER
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coincidindo com os resultados apontados por Elboj-Saso, Iñiguez-Berrozpe e Valero-Errazu
(2020).
Em relação ao sexo de quem comete os abusos sexuais no contexto da educação física
escolar, conforme as respostas das pessoas que relataram ter sofrido uma ou mais situações de
abuso, 90.2% dos episódios são cometidos por um homem dado que corrobora com os
resultados de Vega-Gea, Ortega-Ruiz e Sánchez (2016) e Buchanan e McDougall (2017), que
apontam que o agressor é, predominantemente, alguém do sexo masculino. Na maior parte dos
casos, as agressões ocorrem entre estudante-estudante ou entre professor-estudante, como
mostra a Figura 1.
Figura 1 Gráfico de perpetradores/as de abuso sexual na educação física escolar, segundo
as vítimas
Fonte: Elaboração das autoras.
Também, buscou-se conhecer o sexo da pessoa agressora naquelas situações de abuso
sexual na educação física escolar que foram presenciadas pelas/os participantes do estudo. Em
88.8% dos casos, as agressões são perpetradas por um homem, sendo cometidas principalmente
por um colega ou professor, como se observa na Figura 2.
Abuso sexual na educação física escolar: percepções retrospectivas de estudantes
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Figura 2 Gráfico de perpetradores/as de abuso sexual na educação física escolar, segundo
testemunhas
Fonte: Elaboração das autoras.
A partir do exposto, observa-se que a maioria dos casos de abuso sexual na educação
física escolar, seja na situação de vítima ou de testemunha, é praticada por colegas ou
professores do sexo masculino, sendo mais generalizada entre os/as estudantes. Situação similar
também foi observada em outros estudos sobre abuso sexual infantil em instituições educativas
(Buchanan; McDougall, 2017; Ortega; Ortega-Rivera; Sánchez, 2008). No caso do corpo
docente, além de atuar como agressor, muitas vezes, também é cumplice da violência sexual
por omissão como indicam Slaatten e Malterud (2023). Para Aviram, Tener e Katz (2023), os
casos de abusos sexuais na infância e adolescência são praticados por quem exerce mais poder
na relação estabelecida, o que pode ser percebido mais claramente nos casos de abusos
cometidos por docentes contra estudantes. É evidente que os professores aproveitam de sua
posição hierárquica para cometerem violência sexual. A seguir, uma das entrevistadas descreve
uma das formas de agressão praticada pelo professor de educação física.
Eu não fui vítima, mas tive uma parente próxima que ele [professor] dava mais
intimidade para as alunas, principalmente de Ensino Médio, dando abertura
para ser convidado para aniversário, eventos fora da escola. E soube que, em
um desses eventos, ele inclusive ficou com uma aluna. Então, mesmo sendo o
professor delas e elas sendo menores de idade, ele ficou com a aluna
(Estudante 8).
Ademais, os abusos sexuais vindos de professores, assim como os casos de familiares,
requerem maior atenção, pois são cometidos por pessoas próximas à vítima, que deveriam ser
suas protetoras e zelarem por sua segurança (Paixão; Souza Neto, 2020). Esta proximidade e
confiança das vítimas com os abusadores facilitam a perpetração dos abusos, fazendo com que
seja ainda mais traumático, podendo acarretar sequelas mais graves à vítima como, por
Carolina PEREIRA MACHADO; Paula BIANCHI e Angelita Alice JAEGER
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exemplo, distúrbios do desenvolvimento, dificuldades para estabelecer relações afetivas e
sociais, agressividade, falta de cuidado com aparência física, tentativa de suicídio e
comportamentos delinquentes (Sakellari et al., 2022; Habigzang et al., 2005). Nesses casos, a
falta de cuidados e proteção por parte da escola aos/às estudantes implica em exposição a outras
formas de violências, como a institucional (Faleiros; Faleiros, 2007). Uma das participantes do
estudo destacou como uma das consequências desse tipo de comportamento a mudança de
vestimenta.
[...] afeta em várias questões, porque o fato de eu usar short a guria usar
short, é uma coisa que até hoje eu não consigo, não me sinto bem. Eu acho
que isso pega muito a vestimenta na Educação Física, faz com que o homem
tenha o direito de te olhar (Estudante 7).
Embora existam casos de abuso sexual em que os homens são as vítimas, na maioria das
vezes prevalece a hierarquia de gênero. Nesse contexto, as mulheres são frequentemente vistas
como indefesas, o que contribui para a violência baseada no preconceito de nero, uma vez
que são percebidas em uma posição hierárquica inferior em relação aos agressores masculinos
(Rodrigues Barbosa, 2024). A categoria gênero desempenha um papel fundamental na
compreensão das razões pelas quais os homens adotam modelos específicos de masculinidade
e como esses modelos influenciam seus relacionamentos com mulheres em qualquer etapa da
vida. As performances de gênero moldam a identidade dos sujeitos por meio da repetição; este
processo é impulsionado por pressões sociais que forçam os corpos a traduzirem normas
culturais baseadas em concepções hegemônicas de gênero. Assim, as relações de poder dos
homens sobre as mulheres se estabelecem por meio de discursos que atuam como mecanismos
de controle na sociedade (Ferreira et al., 2023). Com isso, acredita-se também que a hierarquia
de gênero esteja presente na maioria dos comportamentos abusivos e violentos praticados entre
colegas estudantes na escola. Segundo Elboj-Saso, Iñiguez-Berrozpe e Valero-Errazu (2020) a
violência sexual entre menores é um reflexo do modelo social de dominação e submissão,
marcado pelas relações de controle entre homens e mulheres.
Espaços onde ocorrem os abusos sexuais
Paralelamente, buscou-se detectar quais são os locais onde ocorrem os abusos sexuais.
Segundo as respostas das/dos participantes que foram vítimas de abuso, quase metade desses
delitos tem lugar na quadra da escola, como mostra a Figura 3.
Abuso sexual na educação física escolar: percepções retrospectivas de estudantes
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
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Figura 3 Gráfico sobre os locais de incidência de casos de abuso sexual na educação física
escolar
Fonte: Elaboração das autoras.
Com base nos dados, a quadra esportiva, sala de aula e o pátio da escola aparecem como
os principais locais onde o abuso sexual acontece, totalizando 91% dos casos. Com menor
frequência, os banheiros ou vestiários também são mencionados, evidenciando se tratar de
espaços vulneráveis. Sobre essa questão, Timmerman (2003) destaca que as agressões verbais
de caráter sexual são mais comuns na sala de aula. Já a violência sexual do tipo física, como os
toques não desejados, é mais recorrente nas atividades que se realizam fora do horário de aula
e em instalações externas como, por exemplo, ginásios esportivos, sala de dança e durante as
competições. Neste contexto, no decorrer das aulas de educação física, crianças e adolescentes,
na maioria das vezes, estão sozinhos com adultos ou colegas, o que faz com que os espaços
mencionados anteriormente sejam percebidos como locais propícios para os crimes de abuso
sexual.
Tipos de abusos sexuais presentes na educação escolar
O estudo buscou identificar os tipos de abusos sexuais perpetrados nas aulas de
educação física a partir das respostas das pessoas que relataram ter sofrido uma ou mais
situações de violência sexual. Entre as formas de abuso sexual mais frequentes se destacam a
verbal (comentários, piadas...) e a visual, especialmente os olhares, como se observa na Figura
4.
Carolina PEREIRA MACHADO; Paula BIANCHI e Angelita Alice JAEGER
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Figura 4 Gráfico sobre os tipos de abuso sexual vivenciados na educação física escolar
Fonte: Elaboração das autoras.
Também foi questionado aos/as participantes que testemunharam algum tipo de
situação, qual foi o tipo de abuso sexual presenciado, sendo os olhares ou gestos sugestivos,
comentários e toques indesejados os que mais apareceram, conforme mostra a Figura 5.
Figura 5 Gráfico sobre os tipos de abuso sexual presenciados na educação física escolar
Fonte: Elaboração das autoras.
A partir dos resultados, as principais formas de abuso sexual presentes no âmbito da
educação física escolar incluem comentários de natureza sexual, olhares ou gestos insinuantes,
piadas de cunho sexual e toques indesejados, sendo, portanto, as agressões visuais e verbais
mais frequentes, seguidas do abuso sexual de tipo sico. É importante destacar que no ambiente
escolar, o abuso sexual de tipo físico é mais comum entre as meninas enquanto as outras formas
de violência sexual têm maior incidência em ambos os sexos (Vega-Gea; Ortega-Ruiz; Sánchez,
2016). Esses resultados coincidem com o estudo realizado por Sweeting et al. (2022) sobre o
abuso sexual com 638 estudantes de escolas escocesas, em que os comportamentos encontrados
Abuso sexual na educação física escolar: percepções retrospectivas de estudantes
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com maior frequência foram as piadas, os gestos e olhares sexuais. As participantes
descreveram algumas das situações de abuso sexual vividas e/ou presenciadas nas aulas de
educação física, como, por exemplo:
[...] tinha outra menina que era bem popular na escola, então ela era bem
conhecida, todos os meninos na aula de Educação Física ficavam olhando para
o corpo dela e comentando (Estudante 6).
Nesse sentido, as participantes foram unânimes em afirmar que a direção da escola e o
corpo docente de educação física se abstiveram de abordar o tema, bem como de investigar as
queixas apresentadas pelas estudantes. Ao agir de forma omissa, a escola, junto com seu
professorado, se distancia da construção de um espaço seguro para os/as estudantes, criando
uma situação de abandono das vítimas (Slaatten; Malterud, 2023).
O estudo mostrou uma diferença no número expressivo de pessoas que presenciaram
alguma situação de abuso sexual em relação ao contingente mais reduzido que relatater sido
vítima. Essa diferença pode ser explicada pelo fato de que muitas vítimas de abuso sexual não
se sentem confortáveis ou seguras para relatar suas experiências, ou sequer percebem tais
abusos uma vez que a violência sexual está normalizada em todas as camadas da sociedade
(Ferreira et al., 2023). Este contexto evidencia a necessidade urgente de conscientização e
formação, de modo que os/as estudantes possam identificar, prevenir e responder de forma
adequada a casos de abuso sexual no âmbito escolar, conforme indicam Wagner e Knoke
(2022). Paralelamente, a ocorrência de situações de abuso sexual nas aulas de educação física,
um espaço que deveria ser seguro e propício ao desenvolvimento dos/as alunos/as, é alarmante
(20% de vítimas e 40% testemunhas). Para se ter uma ideia do problema, em um estudo
realizado no ambiente esportivo, 28% das atletas reportaram ter vivenciado alguma situação de
violência sexual, o que se considera uma cifra muito alta (Fasting; Brackenridge;
Sundgot-Borgen, 2003). Os resultados deste estudo destacam a necessidade imperativa da
implementação de medidas como a educação sexual nas escolas, bem como propõem Xavier e
Camargo (2024). Tal educação permitirá que os/as estudantes compreendam o conceito de
consentimento e reconheçam sinais de abuso, além de proporcionar formação adequada ao
corpo docente, capacitando-o a identificar casos de violência sexual infantil e a adotar as
medidas necessárias. Essas ações são essenciais para oferecer suporte às vítimas e mitigar as
consequências decorrentes dessas situações. Algumas experiências formativas e de prevenção
realizadas no âmbito esportivo mostraram efeitos positivos no comportamento de treinadores e
Carolina PEREIRA MACHADO; Paula BIANCHI e Angelita Alice JAEGER
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atletas homens em relação às atletas mulheres, ademais de contribuir com a identificação do
abuso sexual no esporte (Miller et al., 2020).
Entre as implicações do abuso sexual se destaca a perda de interesse pelas aulas de
educação física por parte das vítimas. Algumas vezes, a única forma que a vítima encontra para
se proteger das agressões sexuais é deixar de frequentar as aulas de educação física. Além disso,
Moreno-Vitoria, Cabeza-Ruiz e Pellicer-Chenoll (2024) apontam que esse contexto repercute
negativamente no desenvolvimento das vítimas, especialmente das meninas que são as mais
afetadas por essas condutas, levando a sua completa desvinculação das práticas corporais e de
movimento na vida adulta.
Conclusão
A partir desse estudo, observou-se que a presença com alta incidência do fenômeno do
abuso sexual no campo da educação física escolar se mostra uma realidade preocupante. Por
outro lado, são escassos os estudos científicos que se dedicam às questões da violência sexual
no contexto educacional e, de modo especial, nas aulas de educação física, o que silencia e
invisibiliza ainda mais o problema.
Entre as principais formas de abuso sexual identificadas ganha evidencia a violência
verbal e não verbal perpetradas através de comentários e piadas de caráter sexual, bem como
olhares e gestos com conotação sexual. Não menos frequente se destaca o contato físico não
desejado, evidenciando que as formas físicas de abuso sexual estão presentes na disciplina. Na
maior parte dos casos, as meninas e as adolescentes são as principais vítimas dos abusos sexuais
que ocorrem na educação física escolar, sendo o agressor, em geral, uma pessoa do sexo
masculino. Desse modo, é notória a importância desta temática ser debatida dentro da escola,
tanto com os/as professores/as a fim de prepará-los/as para lidar com a problemática, quanto o
diálogo com os/as estudantes com o intuito de instruí-los/as sobre o que é abuso sexual,
consentimento e as formas de denúncia. Seria fundamental que, tanto docentes como discentes,
conhecessem protocolos de prevenção e de atuação relacionados com o abuso sexual contra
crianças e adolescentes. É urgente criar estratégias para tornar a escola um espaço acolhedor e
seguro aos/às estudantes. No caso específico da educação física, algumas estratégias
importantes para prevenir o abuso sexual incluem rever as dinâmicas de grupo, evitar contatos
físicos desnecessários durante explicações e atividades práticas em aula, garantir o respeito
Abuso sexual na educação física escolar: percepções retrospectivas de estudantes
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10720 14
entre corpo docente-estudante e entre os/as estudantes, bem como assegurar a integridade física
e psicológica dos/as estudantes.
Entre as limitações do presente estudo, destaca-se a escassez de outros estudos que
abordem as questões do abuso sexual especificamente no campo da educação física no contexto
escolar, o que pode ter restringido as possibilidades de comparação com outras pesquisas. Além
disso, a investigação foi realizada em apenas uma instituição pública de ensino superior, o que
limita a generalização dos resultados para outros contextos acadêmicos. Essas limitações
indicam a necessidade de novas pesquisas, que ampliem a amostra e contemplem diferentes
contextos, contribuindo para o fortalecimento da literatura e para a construção de estratégias de
enfrentamento mais consistentes.
Carolina PEREIRA MACHADO; Paula BIANCHI e Angelita Alice JAEGER
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025011, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradecemos aos/as estudantes que participaram da pesquisa.
Financiamento: A primeira autora foi beneficiária de auxílio financeiro CAPES - Brasil.
Conflitos de interesse: As autoras informam que não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de
Santa Maria.
Disponibilidade de dados e material: Os dados que apoiam os resultados deste estudo
estão disponíveis mediante solicitação às autoras correspondentes. Os dados não estão
disponíveis publicamente devido a restrições éticas ou de privacidade.
Contribuições dos autores: As autoras escreveram juntas o artigo. A produção dos dados
é resultado do trabalho de mestrado de Carolina Pereira Machado. As autoras trabalharam
igualmente na concepção do artigo, escrita e revisão deste texto.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução