AMÉRICA LATINA: DILEMAS DA ESQUERDA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA

Valério Arcary

Resumo


Foi cruel para o destino de suas lutas que o proletariado latino americano tenha começado a travar grandes combates com relativa independência de classe somente depois do fim da Segunda Guerra Mundial, justamente quando a classe trabalhadora européia, a grande protagonista das revoluções anti-capitalistas na primeira metade do século, se retirava de cena. A primeira revolução operária do continente sacudiu a Bolívia no início dos anos cinqüenta e, depois de uma extraordinária luta foi derrotada, mas o marxismo passou a ser, pela primeira vez na América Latina, o vocabulário da maioria da classe operária. O continente latino-americano escreveu sua primeira página de glória na história da revolução socialista com o triunfo da revolução cubana em 1959. Uma onda de entusiasmo e radicalização política se estendeu do México ao Chile, mas a hora dos combates decisivos seria decidida, desfavoravelmente, no Rio de Janeiro em 1964. O perigo de novas “Cubas” levou Washington a fomentar um cerco comercial, político e militar a Cuba. A mobilidade social intensa do período histórico do pós-guerra, que acompanhou o processo de urbanização na maioria do continente, se interrompeu no final dos anos setenta. Pela primeira vez, uma geração de jovens descobriu que não podia aspirar a uma vida melhor que a da geração de seus pais. As tensões sociais que o processo de urbanização e industrialização conseguiu absorver, mesmo com a manutenção de grande desigualdade social, porque permitia a esperança de uma ascensão individual, deixou de ser possível quando explodiu a crise das dívidas externas nos anos oitenta e, depois, a consolidação do desemprego em níveis superiores a 10% da população economicamente ativa nos anos noventa. Esse foi o quadro histórico-econômico que explica a instabilidade crônica dos regimes democrático-liberais que culminou com a queda de mais de 10 presidentes eleitos e a explosão político-social que foi a onda de situações revolucionárias que se precipitou da Argentina para o Equador, e da Venezuela para a Bolívia.


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DOI: https://doi.org/10.33026/peg.v10i1.1686

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