
Reflexões sobre o mestrado acadêmico na formação de docentes: “Eu não acho, eu sei, porque eu aprendi”
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 37, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v37i00.11638 14
Essa flexibilidade de oferta noturna no PPGEdu, a partir de 2021, vai ao encontro da
recusa à acomodação, da negação do fatalismo e do gosto de ser freireano (Freire, 2021b).
Assim, o Programa possibilita a realização de sonhos, como relatam Meredith e Maria, que
queriam ter feito mestrado antes.
Também a flexibilidade da rede de ensino onde César atuava ajudou nessa conquista:
“Eu entro no quarto, me tranco aqui; eu tinha a liberação, e tenho ainda a liberação das quartas-
feiras para só estudar, e isso contribuiu muito, muito, muito!”. E é a partir do mestrado que
outras esperanças surgem nos mestrandos e mestrandas: fazer um doutorado, buscar um cargo
melhor na Educação, aumentar a remuneração, poder morar em outra cidade por causa do
aumento da empregabilidade, trabalhar no ensino superior e suprir a formação que faltou
quando o indivíduo fez uma mudança de carreira e quer ser reconhecido dentro da nova
profissão como professor. Além disso, o mestrado dá condição de ser um melhor professor ou
professora dentro da posição já ocupada, conforme foi pontuado neste artigo.
Para tanto, os mestrandos e mestrandas investem tempo e dinheiro. Isabela falou sobre
isso:
São tantos sacrifícios que a gente está fazendo e, dentro de uma família, sim,
tem um sacrifício financeiro, porque não é só curtir, eu não tenho bolsa, eu
pago, eu tenho desconto, mas eu pago, mas a gente não pode trocar, a gente
trabalha por hora. Eu, como professora, sou paga por hora e eu tive que reduzir
muito minhas horas. Tem um sacrifício de tempo, que você passa, no meu
caso específico, com os meus filhos. Então, eu penso assim, poxa, eu
sacrifiquei até aqui, não tem uma maneira de desperdiçar sacrifício. Então, a
gente sacrifica mais um pouco. Continua, então, dessa forma externa também.
É difícil, é muito sacrifício. Mas vai ter o momento que a gente vai ter
concluído e vai ter chegado a algum lugar, vai ter cumprido alguns dos nossos
objetivos. Então, vai dar certo no final, vamos lá! (Isabela).
Compreendemos que são três os atores principais envolvidos no inédito-viável dessas
pessoas, que, para elas, foi ter feito o mestrado: o PPGEdu, a rede de ensino e o(a) próprio(a)
estudante/família. Em comunidade, os sonhos são promovidos. Alves (2003, p. 9) reflete sobre
essa dimensão comunitária, comum, do sonho:
Esta é uma das missões da educação: formar um povo. Ou seja, ajudar as
pessoas a sonhar sonhos comuns para que, juntas, possam construir. As
escolas devem ser os espaços onde alunos e professores sonham e
compartilham seus sonhos, porque sem sonhos comuns não há povo, e não
havendo um povo não se pode construir um país. Se eu sonho com um país de
águas cristalinas e natureza preservada, meu sonho pessoal será inútil se não