Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 1
POLÍTICA INSTITUCIONAL DE GÊNERO E SEXUALIDADE EM
UNIVERSIDADES FEDERAIS BRASILEIRAS
POLÍTICA INSTITUCIONAL DE GÉNERO Y SEXUALIDAD EN LAS
UNIVERSIDADES FEDERALES DE BRASIL
INSTITUTIONAL GENDER AND SEXUALITY POLICY IN BRAZILIAN FEDERAL
UNIVERSITIES
Fernando Soares da SILVA
1
e-mail: profissaoeconomista@gmail.com
Kellcia Rezende SOUZA
2
e-mail: kellciasouza@ufgd.edu.br
Cássia Cristina FURLAN
3
e-mail: cassiafurlan@ufgd.edu.br
Como referenciar este artigo:
SILVA, F. S.; SOUZA, K. R.; FURLAN, C.C. Política institucional
de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras.
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n.
00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441. DOI:
10.32930/nuances.v36i00.10848.
| Submetido em: 02/11/2024
| Revisões requeridas em: 15/12/2024
| Aprovado em: 14/01/2025
| Publicado em: 17/03/2025
Editores:
Profa. Dra. Rosiane de Fátima Ponce
Editor Adjunto Executivo: Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Dourados Mato Grosso do Sul (MS) Brasil. Mestre em
Administração Pública em Rede Nacional (UFGD). Graduado em Ciências Econômicas pela Faculdades
Integradas Antônio Eufrásio de Toledo (2005). Economista da Universidade Federal da Grande Dourados.
2
Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Dourados Mato Grosso do Sul (MS) Brasil. Doutora em
Educação Escolar pela Universidade Estadual Paulista - Unesp/Araraquara. Licenciada em Educação Física pela
UFG e Pedagogia pela Universidade Metropolitana de Santos. É docente da Faculdade de Educação da UFGD e
atua nos Programas de Pós-Graduação em Educação e Administração Pública da mesma instituição.
3
Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Dourados Mato Grosso do Sul (MS) Brasil. Doutora em
Educação pela Universidade Estadual de Maringá. Licenciada em Educação Física pela Universidade Estadual de
Maringá e Pedagogia pela Faculdade Instituto Superior de Educação do Paraná. É docente da Faculdade de
Educação da UFGD e atua nos Programas de Pós-Graduação em Educação e Administração Pública da mesma
instituição.
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 2
RESUMO: Ao longo do último culo, temas como gênero e sexualidade têm ganhado
notoriedade, fortalecendo movimentos sociais, tais como grupos feministas e LGBTQIA+, que
passaram a influir nas produções acadêmicas e na consolidação de políticas públicas. A
universidade, como instituição de produção e difusão de conhecimentos, precisa estar atenta a
essas questões. Nessa direção, este estudo objetiva mapear a consolidação de políticas
institucionais de diversidade de gênero e sexualidade em Instituições de Educação Superior no
contexto brasileiro. Caracteriza-se como uma pesquisa documental. A busca realizada nas
universidades federais identificou 48 políticas de uso do nome social, 16 universidades com
políticas de ações afirmativas e 2 políticas de diversidade de gênero e sexual. A pesquisa
revelou que a autonomia universitária possibilita avanços dos direitos da comunidade
LGBTQIA+, embora o preconceito ainda respalde a inexistência de políticas em algumas
universidades brasileiras.
PALAVRAS-CHAVE: Desigualdade de gênero. Políticas de inclusão social. Educação
Superior.
RESUMEN: A lo largo del último siglo, temas como género y sexualidad ganaron notoriedad,
fortaleciendo movimientos sociales, como los grupos feministas y LGBTQIA+, que comenzaron
a incidir en las producciones académicas y en la consolidación de políticas públicas. La
universidad, como institución de producción y difusión de conocimiento, necesita ser
consciente de estas cuestiones. En este sentido, este estudio tiene como objetivo mapear la
consolidación de políticas institucionales sobre diversidad de género y sexualidad en las
Instituciones de Educación Superior (IES) en el contexto brasileño. Se caracteriza por ser una
investigación documental. La búsqueda realizada en universidades federales identificó 48
políticas sobre el uso de nombres sociales, 16 universidades con políticas de acción afirmativa
y 2 políticas de nero y diversidad sexual. La investigación reveló que la autonomía
universitaria permite avances en los derechos de la comunidad LGBTQIA+, aunque los
prejuicios aún sustentan la falta de políticas en algunas universidades brasileñas.
PALABRAS CLAVE: Desigualdad de género. Políticas de inclusión social. Educación
universitária.
ABSTRACT: Over the last century, themes such as gender and sexuality have gained notoriety,
strengthening social movements, such as feminist and LGBTQIA+ groups, which began to
influence academic productions and the consolidation of public policies. The university, as an
institution for the production and dissemination of knowledge, needs to be aware of these issues.
In this sense, this study aims to map the consolidation of institutional policies on gender and
sexuality diversity in Higher Education Institutions (IES) in the Brazilian context. It is
characterized as documentary research. The search carried out at federal universities
identified 48 policies on the use of social names, 16 universities with affirmative action policies,
and 2 gender and sexual diversity policies. The research revealed that university autonomy
enables advances in the rights of the LGBTQIA+ community, although prejudice still supports
the lack of policies in some Brazilian universities.
KEYWORDS: Gender inequality. Social inclusion policies. College education
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 3
Introdução
Gênero e sexualidade são discutidos em diversas épocas históricas e em diversas
sociedades. Na história recente, vimos esses temas ganharem força a partir da década de 1960
(Louro, 2012; Muszkat, 2020). Desde então, grupos de mulheres e de lésbicas, gays, bissexuais,
transgêneros, queers
4
, intersexos, assexuais e outras pessoas com identidades o
heterossexuais ou cisgênero
5
(LGBTQIA+) promoveram debates importantes que auxiliaram
na construção de teorias e na ressignificação do conceito de gênero (Tilio, 2014; Butler, 2003)
tornando possível o reconhecimento de identidades não heterossexuais (Miskolci, 2015).
A demanda por pautas políticas para a diversidade de gênero e sexual é histórica. No
entanto, para que haja mudanças sociais e quebra de preconceitos, é preciso incluir questões de
gênero e diversidade sexual nos processos de aprendizagem das instituições de ensino. Tais
pautas mostram-se relevantes de investigação dentro da estrutura institucional da universidade
devido às violências exercidas contra sujeitos LGBTQIA+ (Brasil, 2023; Cerqueira; Ferreira;
Bueno, 2021; Benevides, 2023) e ao fato de, no contexto atual brasileiro, governos e grupos
conservadores avançarem nas pautas contra a igualdade de gênero e de combate à discriminação
de orientação sexual contempladas na Constituição Federal do Brasil (CF) (Brasil, 1988) e nos
demais instrumentos relacionados aos direitos humanos. No mais, faz-se necessário investigar
como as políticas públicas para a diversidade de gênero e sexual são [re]produzidas e
implementadas nas instituições de ensino, em especial nas universidades públicas, por serem
instituições que representam a atuação do Estado na sociedade, possibilitando, por sua vez, a
promoção de valores em respeito ao ordenamento legal brasileiro e internacional. Assim, essa
pesquisa objetivou mapear a consolidação de políticas institucionais de diversidade de gênero
e sexualidade em Instituições de Educação Superior no contexto brasileiro.
Nessa direção a pesquisa foi pautada na abordagem qualitativa a partir do
desenvolvimento de pesquisas bibliográfica e documental (Marconi; Lakatos, 2021). O
levantamento documental ocorreu em duas etapas. Na primeira, foi encaminhado um e-mail
4
Queer é uma palavra inglesa que pode ser traduzida como estranho. O termo, que era utilizado de forma
pejorativa para se referir a pessoas com identidade de gênero ou orientação sexual diferente, passou a ser utilizado
pelos movimentos sociais. Atualmente, essa palavra pode ser utilizada para referir-se a toda a comunidade
LGBTQIA+, como um termo guarda-chuva, ou como identidade para aqueles que não se sentem representados
pelas letras do movimento (Mardell, 2017).
5
Cisgênero ou cis é uma pessoa que possui uma identidade de gênero idêntica àquela que lhe foi atribuída ao
nascimento (Mardell, 2017).
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
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para as 67 universidades federais listadas no site da Associação Nacional dos Dirigentes das
Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), com exceção da Universidade Federal da
Grande Dourados (UFGD), pois houve pesquisa institucional interna acerca da existência de
políticas públicas de diversidade de gênero e/ou sexual destinadas à comunidade LGBTQIA+.
Das instituições consultadas, 18
6
responderam à consulta acerca da existência de políticas
públicas relacionadas à diversidade de gênero e de sexualidade. Dessas, 11 universidades
afirmaram possuir uma política institucional formalizada. Entretanto, as respostas
encaminhadas por e-mail não foram precisas em relação aos instrumentos, embora tenham sido
indicadas políticas de ações afirmativas e de uso do nome social, bem como a existência de
órgãos que tratam da temática. Com exceção da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia,
todas as demais universidades indicaram ter um núcleo de pesquisa para tratar das questões de
gênero e/ou diversidade sexual.
Essa primeira fase também identificou que 17 instituições possuem algum tipo de órgão
institucionalizado que varia entre núcleos de estudos (5), coordenações (4), diretorias (2),
comitês (3), comissões (2) e setor (1). A UFGD, local de produção desta pesquisa, também
apresenta algumas políticas institucionalizadas e órgão institucionalizado (Núcleo de Estudos)
para tratar da temática.
A segunda etapa contou com a consulta aos sites das universidades por meio do uso das
variações terminológicas recorrentes no campo de pesquisa sobre o tema: Sexual, Homof,
Homos, LGBT, Gênero, sbica, Gay, Preconceito e Discriminação. Cabe
destacar que não foi possível o uso dos descritores homof e homos em alguns sites
institucionais, sendo necessária a utilização dos termos completos: homossexualidade,
homossexuais/l, homofobia e homofóbicos. Em alguns casos, o uso do termo sexual
não resultou em qualquer publicação contendo o termo transexual/ais/idade. Nesse caso,
também utilizamos os termos completos. Esse levantamento foi realizado em julho de 2023.
6
Responderam o e-mail: 1- Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), 2- Universidade
Federal de Alfenas (UNIFAL), 3- Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), 4- Universidade Federal de Lavras
(UFLA), 5- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), 6- Universidade Federal de Pelotas (UFPel),
7- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 8- Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), 9-
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), 10- Universidade Federal do ABC (UFABC), 11- Universidade
Federal do Cariri (UFCA), 12- Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), 13- Universidade Federal do Norte
do Tocantins (UFNT), 14- Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), 15- Universidade Federal do
Rio Grande (FURG), 16- Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), 17- Universidade Federal do
Vale do São Francisco (UNIVASF) e 18- Universidade de Brasília (UNB).
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 5
A pesquisa mesclou buscas no campo de pesquisa do site principal e buscas nas páginas
específicas destinadas às publicações das resoluções e normativas. Após serem identificadas as
principais políticas, utilizou-se o buscador do Google para realizar pesquisas específicas das
políticas de uso de nome social, de ações afirmativas e de diversidade de gênero e sexual.
Os documentos institucionais levantados nos meios oficiais das universidades federais
brasileiras sobre suas políticas de gênero e sexualidade, em razão de suas especificidades, foram
subdivididos em três grupos: políticas de uso de nome social, políticas de ações afirmativas e
políticas de diversidade sexual e de gênero.
A análise desses documentos foi subsidiada também pela análise dos principais
instrumentos legais relacionados à temática, em especial a Constituição Federal, a Portaria n.
233/2010 do Ministério do Planejamento (MPOG), a Portaria n.º 1.612/2011 do MEC, o
Decreto n.º 8.727/2016 e a Res. 12/2015 do CNCD-LGBT.
Os procedimentos de tratamento dos resultados dos dados foram realizados com o
auxílio do Método de Análise de Conteúdo por categorias analíticas (Bardin, 2016). A lente de
análise utilizada na pesquisa foi a teoria queer. Segundo Spargo (2017, p. 13), essa teoria [...]
não é um arcabouço conceitual ou metodológico único ou sistemático, e sim um acervo de
engajamentos intelectuais com as relações entre sexo, gênero e desejo sexual. Esse movimento
político possibilitou a sistematização de novos olhares teóricos sobre o fenômeno da
diversidade sexual e de gênero.
Políticas institucionais de diversidade de gênero e sexual das universidades federais
brasileiras
A CF de 1988, aliada aos direitos humanos, permitiu e promoveu avanços nas discussões
e construções de caminhos para políticas públicas voltadas à igualdade de gênero. É sob as
demandas dos movimentos e coletivos sociais que a diversidade passa a ser construída. O
gênero, inicialmente discutido sob demanda das mulheres, ganhou novos contornos a partir das
demandas de mulheres negras e lésbicas, interseccionando-se com as pautas do movimento
LGBTQIA+ e inserindo também a discussão sobre a diversidade sexual.
Identidades de gênero não são estáticas, elas passam por um processo contínuo de
construção e transformação, e [...] em suas relações sociais, atravessadas por diferentes
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 6
discursos, símbolos, representações e práticas, os sujeitos vão se construindo como masculinos
ou femininos [não binário e/ou outras expressões da identidade de gênero], arranjando e
desarranjando seus lugares sociais, suas disposições, suas formas de ser e de estar no mundo
(Louro, 2012, p. 32).
Quanto ao conceito de diversidade sexual, não é algo fixo e deve considerar uma noção
em expansão, pois as formas de expressão da sexualidade e a variedade das práticas sexuais são
construções históricas (Torres, 2013, p. 8). Torres (2013, p. 11) adota o termo sexualidades,
no plural, para sinalizar a existência de heterossexualidades, homossexualidades,
lesbianidades, transexualidades e outras formas de sexualidade que ainda estão por ser
construídas, sendo impossível sintetizar as formas de expressão ou práticas sexuais dos
sujeitos, ainda que a heterossexualidade seja tratada como norma (Butler, 2003).
No Brasil, um país majoritariamente cristão, a representação da relação sexual é
alicerçada sobre o modelo heterossexual (Torres, 2013), denominada por Judith Butler como
matriz heterossexual
7
(Butler, 2003) e como heterossexualidade compulsória
8
ou
heterossexualidade obrigatória pela lesbofeminista estadunidense Adrienne Rich (Butler,
2003). No entanto, o entendimento das sexualidades de gays, lésbicas e transexuais pode
resultar no questionamento e na recusa dessa naturalização, revelando as possibilidades para
além da heterossexualidade.
Nesse contexto é preciso estar atento a como o Estado lida com as questões de gênero e
diversidade sexual e a como as políticas públicas são desenvolvidas e implementadas, buscando
olhar para as principais contribuições epistemológicas e históricas que os Estudos de Gênero
fazem na construção social do gênero em detrimento do sexo biológico e das diferentes
sexualidades (para além da norma). As formas de opressão e a violência de gênero e diversidade
sexual têm sido pauta de discussões políticas, teóricas e acadêmicas em diversas instâncias da
sociedade, abrangendo movimentos sociais, ONGs e instituições públicas.
7
Termo criado a partir das noções de contrato sexual, de Monique Wittig, e heterossexualidade compulsória,
de Adrienne Rich, e utilizado para [...] designar a grade de inteligibilidade cultural por meio da qual os corpos,
gênero e desejos são naturalizados (Butler, 2003, p. 215-216). Segundo Brosin e Tokarski (2017), essa expressão
tem como alvo a manutenção de um sexo heterogêneo separado significativamente de duas maneiras diferentes.
8
Termo cunhado por Adrienne Rich no artigo A heterossexualidade compulsória e a experiência Lésbica (1980)
original em língua inglesa: Compulsory heterosexuality and lesbian experience. Esse estudo é considerado
por muitas pessoas como [...] a primeira discussão a explicitar a heterossexualidade não como algo natural, mas,
antes, o resultado de um conjunto de práticas sociais que a impõem como a forma ‘correta’ de se relacionar amorosa
e sexualmente (Miskolci, 2015, p. 14).
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 7
Olhar para políticas públicas no âmbito das Instituições Federais de Educação é um
passo importante na busca por compreender como esses direitos se consolidam (ou não) nessas
instâncias. O Brasil hoje conta com 69 universidades federais, instaladas principalmente na
região Nordeste e Sudeste (Brasil, 2023).
Foi realizado um mapeamento das políticas institucionalizadas nas IES voltadas à
diversidade sexual e de gênero. A forma como as universidades lidam com essas temáticas
ocorrem essencialmente por meio de órgãos administrativos, comitês ou comissões. No total,
identificou-se ao menos uma política institucionalizada em 50 das 68 universidades públicas
pesquisadas. Esses instrumentos estão dispostos no quadro 1, a seguir.
Quadro 1 Instrumentos normativos sobre políticas de uso do nome social, ações afirmativas
e políticas de diversidade sexual e de gênero
Universidades
9
Instrumentos Normativos
nome social
Ações afirmativas
Políticas de
diversidade sexual e de
gênero
UFABC
Res. n.º 105/2011 do Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão
Res. n.º 190/2018 do Conselho
Universitário - Reserva de vagas
para pessoas transgêneros nos
cursos interdisciplinares da
UFABC.
Res. n.º 223/2022 do
Conselho Universitário
- Estabelece a Política
de Diversidade Sexual e
de Gênero na UFABC.
Res. n.º 78/2021 do Conselho de
Pós-Graduação - Política de
Ações Afirmativas de acesso e
permanência nos cursos de pós-
9
Universidade Federal do ABC (UFABC); Universidade Federal do Acre (UFAC); Universidade Federal do
Amazonas (UFAM); Universidade Federal da Bahia (UFBA); Universidade Federal do Ceará (UFC);
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA);
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Universidade Federal Fluminense (UFF); Universidade Federal
da Fronteira Sul (UFFS); Universidade Federal de Goiás (UFG); Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF);
Universidade Federal de Lavras (UFLA); Universidade Federal do Maranhão (UFMA); Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); Universidade Federal de Ouro Preto
(UFOP); Universidade Federal do Pará (UFPA); Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Universidade
Federal do Piauí (UFPI); Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Federal Rural da Amazônia
(UFRA); Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS); Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE);
Universidade Federal de Roraima (UFRR); Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ);
Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Universidade
Federal de São Carlos (UFSCar); Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); Universidade Federal de
Santa Maria (UFSM); Universidade Federal do Tocantins (UFT); Universidade Federal de Uberlândia (UFU);
Universidade Federal de Viçosa (UFV); Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM);
Universidade de Brasília (UNB); Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL); Universidade Federal do Amapá
(UNIFAP); Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Universidade Federal da Integração Latino-
Americana (UNILA); Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB);
Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA); Universidade Federal de Rondônia (UNIR); Universidade Federal
do Estado do Rio (UNIRIO); Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF); Universidade Federal
do Rio Grande (FURG); Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA); Universidade Federal da
Grande Dourados (UFGD).
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 8
graduação stricto sensu da
UFABC.
UFAC
Res. n.º 07/2016 do Conselho
Universitário
UFAM
Res. n.º 08/2015 do Conselho
Universitário
UFBA
Res. n.º 01/2014 do Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão
Res. n.º 01/2017 do Conselho
Acadêmico de Ensino -
procedimentos, editais e reservas
de vagas para processos seletivos
da pós-graduação stricto sensu da
UFBA.
Res. n.º 07/2018 do Conselho
Acadêmico de Ensino - reserva
de vagas na seleção para os
cursos de graduação da UFBA.
UFC
Res. n.º 32/2013 do Conselho
Universitário
UFCG
Res. n.º 14/2016 do Conselho
Universitário
UFERSA
Res. n.º 01/2014 do Conselho
Universitário
UFES
Res. n.º 23/2022 do Conselho
Universitário
UFF
Res. n.º 160/2013 do Conselho
Universitário
UFFS
Res. n.º 11/2016 do Conselho
Universitário
UFG
Res. n.º 14/2014 do Conselho
Universitário
10
Res. n.º 07/2015 do Conselho
Universitário - Política de ações
afirmativas na pós-graduação
stricto sensu na UFG.
UFJF
Res. n.º 06/2015 do Conselho
Universitário
Res. n.º 67/2021 do Conselho
Superior - Política de Ações
Afirmativas na pós-graduação
stricto sensu da UFJF.
UFLA
Res. n.º 50/2022 do Conselho
Universitário
UFMA
Res. n.º 242/2015 do Conselho
Universitário
Res. n.º 3.058/2023 do Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão e
Inovação - Política de Ações
Afirmativas nos cursos de pós-
graduação stricto sensu ou lato
sensu gratuitos da UFMA.
UFMG
Res. n.º 09/2015 do Conselho
Universitário
UFMT
Res. n.º 01/2011 do Conselho
Universitário
Res. n.º 197/2021 do Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão -
Política de ações afirmativas na
pós-graduação da UFMT.
UFOP
Res. n.º 1.765/2015 do
Conselho Universitário
10
Essa resolução também é utilizada pela Universidade Federal do Catalão (UFCat) e pela Universidade Federal
de Jataí (UFJ). Essas universidades não constam no quadro geral, pois foram desmembradas da UFG e utilizaram
a mesma resolução.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 9
UFPA
Res. n.º 731/2014 do Conselho
Universitário
UFPE
Port. Normativa n.º 02/2016 da
Reitoria
Res. n.º 17/2021 do Conselho de
Ensino, Pesquisa e Extensão -
Política de ações afirmativas na
pós-graduação stricto sensu da
UFPE.
UFPI
Res. n.º 03/2015 do Conselho
Universitário
UFPR
Res. n.º 29/2015 do Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão
UFRA
Res. n.º 315/2019 do Conselho
Superior de Administração
UFRB
Res. n.º 01/2015 do Conselho
Universitário
Res. n.º 33/2018 do Conselho
Acadêmico - Cotas raciais para o
acesso e ações afirmativas na
pós-graduação da UFRB.
UFRGS
Res. n.º 506/2014 do Conselho
Universitário
Res. n.º 01/2021 do Conselho do
PPG de Letras - Reserva de
vagas para ingresso de mestrado
e doutorado e dá outras
providências.
Res. n.º 15/2023 do Conselho
Universitário - Programa de
Ações Afirmativas para a pós-
graduação stricto sensu e lato
sensu da UFRGS.
UFRN
Res. n.º 232/2012 do Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão
UFRPE
Res. n.º 021/2015 do Conselho
Universitário
UFRR
Res. n.º 06/2015 do Conselho
Universitário
UFRRJ
Deliberação. n.º 73/2016 do
Conselho Universitário
UFSB
Res. n.º 19/2015 do Conselho
Universitário
UFSC
Res. n.º 59/2015 do Conselho
Universitário
UFSCar
Res. n.º 780/2014 do Conselho
Universitário
UFSJ
Res. n.º 04/2015 do Conselho
Universitário
Res. n.º 25/2022 do Conselho
Universitário - Política de ações
afirmativas no âmbito da pós-
graduação stricto sensu da UFSJ.
UFSM
Res. n.º 10/2015 do Conselho
Universitário
UFT
Port. Normativa n.º 402/2015
da Reitoria
UFU
Res. n.º 01/2015 do Conselho
Universitário
Res n.º 10/2019 do
Conselho Universitário
- Política de
Diversidade Sexual e de
Gênero da UFU.
UFV
Res. n.º. 13/2013 Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 10
UFVJM
Res. n.º 37/2017 do Conselho
de Ensino, Pesquisa e Extensão
UNB
Res. n.º 54/2017 do Conselho
de Administração
Res. n.º 11/2020 do Conselho de
Administração - Programa de
Atenção à Diversidade da UnB.
UNIFAL
Res. n.º 27/2016 do Conselho
Universitário
UNIFAP
Res. n.º 13/2009 do Conselho
Universitário
Res. n.º 21/2022 do Conselho
Universitário - Política de Ações
Afirmativas da UNIFAP.
UNIFESP
Res. n.º 127/2016 do Conselho
Universitário
UNILA
Res. n.º 11/2016 do Conselho
Universitário
UNILAB
Res. n.º 114/2023/Res. n
31/2014 do Conselho
Universitário
Res n.º 40/2021 do Conselho
Universitário - Programa de
Ações Afirmativas da UNILAB.
UNIPAMPA
Res. n.º 61/2013 do Conselho
Universitário
UNIR
Res. n.º 425/2016 do Conselho
Superior Acadêmico
UNIRIO
Res. n.º 4.781/2017 do
Conselho Universitário
UNIVASF
Res. n.º 08/2022 do Conselho
Universitário
FURG
Res. n.º 20/2013 do Conselho
Universitário - Programa de
ações afirmativas nos cursos de
graduação.
Res. n.º 04/2019 do Conselho
Universitário - Programa de
ações afirmativas nos cursos de
pós-graduação.
UNIFESSPA
Res. n.º 534/2021 do Conselho
Superior de Ensino, Pesquisa e
Extensão - Política de Ações
Afirmativas nos cursos de pós-
graduação da UNIFESSPA.
UFGD
Res. CEPEC n.º 243/2016 -
Assegura o uso do nome social
às pessoas discentes.
Resolução n.º 412 - elaboração e
a implementação de programas e
ações para a garantia de acesso e
permanência de discentes nos
cursos de graduação presencial
Resolução n.º 413 - Dispõe sobre
a nova Política de Assistência
Estudantil de Pós-Graduação da
UFGD
Resolução COUNI n.º 263/2022 -
estudantes transexuais no rol de
estudantes em condições que
aumentam a vulnerabilidade
socioeconômica
Fonte: elaborado pelos(as) autores(as).
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
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A pesquisa realizada nessas universidades identificou 73 documentos que tratam da
política do uso do nome social, da política de ações afirmativas e da política de diversidade de
gênero e sexual de forma mais ampla.
Políticas de uso do nome social
Os principais instrumentos encontrados abrangem o uso do nome social. O direito ao
uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero na administração pública
federal foi garantido primeiramente para pessoas servidoras públicas pela Portaria n.º 233/ 2010
do MPOG e, somente anos depois, foi regulamentado o uso do nome social por pessoas
discentes pelo Decreto n.º 8.727/2016. Embora todos os instrumentos normativos das
universidades federais tenham sido formulados com a mesma essência da Portaria e do Decreto,
assegurando o uso do nome social, quatro instituições as instituíram explicitamente como uma
Política de Uso do Nome Social: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade
Federal de Alfenas (UNIFAL), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e
Universidade Federal de Roraima (UFRR).
A UNIFAP foi pioneira em institucionalizar o uso do nome social para pessoas
discentes, garantindo que formulários, pesquisas, fichas de inscrição e questionários
considerem os recortes de identidade de gênero e orientação sexual, auxiliando nas políticas
internas de inclusão. Desde então, diversas instituições estabeleceram regulamentos acerca do
tema. A pesquisa identificou 48 documentos que regem o uso do nome social em 50
universidades federais, nos quais foram identificadas as identidades abrangidas, o público ao
qual se destina cada política e os fundamentos utilizados.
Verificou-se que as políticas instrumentalizadas por meio de resoluções abrangeram
majoritariamente pessoas travestis e transexuais (21), travestis, transexuais e transgênero (6),
transgênero (1), travestis, transexuais, não-binárias e transgênero (1) e travestis, transexuais,
intersexo e transgênero (1) e não especificaram ou utilizaram o termo pessoas
11
(18).
Em relação aos destinatários das políticas, os instrumentos promoveram direitos
principalmente para pessoas discentes e servidoras públicas, mas abordaram também pessoas
11
Todas as instituições que não tenham especificado ou utilizaram o termo pessoas, inclusive aquelas que
trataram de outras identidades. Entendemos que, nesse contexto, as identidades específicas são formas de
visibilizar e/ou exemplificar as identidades.
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
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visitantes, estagiárias, docentes substitutas, voluntárias e prestadoras de serviço, inclusive
terceirizadas. Todas as políticas estabeleceram direitos às pessoas discentes, mas apenas 25,0%
delas de forma exclusiva. As demais atribuíram direitos também às pessoas servidoras e a outras
usuárias. As políticas voltadas para pessoas discentes e docentes ocorrem em 41,7%, ao passo
que, nas demais instituições, cerca de 33,3%, estenderam os direitos instituídos para outras
pessoas usuárias.
No caso das pessoas servidoras públicas, cabe destacar que 17 universidades
estabeleceram que o uso do nome social seria realizado de acordo com a Portaria n.º 233/2010
do Ministério do Planejamento (MPOG)
12
. No entanto, esse instrumento, assim como o Decreto
n.º 8.727/2016, utiliza apenas as identidades travestis e transexuais. Apesar de a CF e de outros
instrumentos permitirem que se infira ser esses instrumentos aplicáveis também a outras
identidades, entendemos ser este um limitador em relação a outras identidades de gênero que
pode ser utilizado por gestores conservadores para a negação de direitos.
No caso da UNIFESP, apesar de os termos travestis e transexuais terem sido
adotados na Resolução n.º 127/2016 com base em seus compromissos institucionais de combate
às discriminações relacionadas à identidade e à expressão de gênero, e na Resolução n.º
12/2015, a instituição ampliou as identidades por meio da Portaria n.º 3.492 da Reitoria,
documento que dispôs sobre o uso dos espaços segregados por gênero a serem utilizados
livremente conforme a identidade de gênero.
Esse instrumento destacou-se tanto pela ampliação das identidades de gênero quanto
pelas diretrizes estabelecidas. Suas principais características incluem: a garantia do uso dos
espaços de acordo com a identidade de gênero nos locais onde houver segregação por gênero;
a identificação dos banheiros como de livre acesso segundo a identidade de gênero; a
implementação de banheiros individuais ou sem gênero em reformas ou novas construções; o
uso da linguagem neutra por meio da palavra pessoa(s) nas comunicações institucionais,
incluindo site, editais, formulários, solenidades oficiais, entre outros; a priorização do termo
gênero em detrimento de sexo sempre que possível nos formulários de cadastros e a
utilização de opções de preenchimento como mulher trans, mulher cis, homem trans,
homem cis, travesti, gênero não-binário e outros. E ainda, utilizar o descritor
intersexo quando for inevitável o uso da categoria sexo, bem como dar preferência ao termo
12
Na ocasião, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
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filiação ao invés de mãe e pai; e a realização de campanhas educativas para a divulgação
das medidas adotadas.
A especificação das identidades transgênero, cisgênero, travestis, não-binárias e outras
ressalta as diferenças entre as identidades e, embora possa parecer reforçar as identidades
socialmente construídas, revela, na verdade, sua pluralidade. Para Butler, não como viver
sem normas de gênero, uma vez que as pessoas desejam se enquadrar nas identidades existentes
e o que se pretende é permitir que as pessoas existam livremente (Butler, 2021).
A utilização de espaços segregados por gênero também foi tratado por meio das políticas
de uso do nome social na UFAC, UFES, UFRGS, UFPE, UFRR, UFSB, UFSCar, UFSJ,
UNIFAL, UNILAB e UNIVASF, muitas delas evidenciando que a política se aplica aos toaletes
e vestiários.
O uso desses espaços é fundamental para a garantia de direitos e a inclusão de pessoas
de identidade de gênero diversa, que são frequentemente expulsas desses locais. As resistências
que advém dos riscos do uso de banheiros por pessoas trans não se sustentam em qualquer dado
concreto. Na verdade, as transexuais são as pessoas violentadas moral e fisicamente nesses
espaços ao serem impedidas de acessar um local segundo sua identidade de gênero (Benevides,
2023). Esse é inclusive um dos parâmetros estabelecidos pela CNCD-LGBT. Com base no art.
3º da Res. n.º 12/2015, que diz que deve ser garantido o uso de banheiros, vestiários e demais
espaços segregados por gênero, quando houver, de acordo com a identidade de gênero de cada
sujeito, esse item foi inserido nessas políticas.
No que concerne à comunidade LGBTIQA+, os acessos ocorrem não em relação ao
uso dos espaços físicos em ambientes segregados por gênero, mas afeta também como essas
pessoas se inserem no contexto social. A política de uso do nome social não é suficiente para
mudar o espaço universitário, sendo necessárias outras medidas que precisam garantir o direito
de acesso e a permanência de discentes transgêneros de forma a permitir que concluam seus
estudos (Prado; Altmann, 2023).
Diversas universidades expuseram, como justificativa na elaboração de suas políticas
de uso do nome social, a busca pela garantia de ingresso, e/ou de permanência e/ou de combate
à evasão. Esse fato foi constatado na UFABC, UFBA, UFC, UFCG, UFFS, UFMS, UFOP,
UFPR, UFRA, UFRB, UFRN, UFSJ, UFSM, UFT, UFU, UFVJM, UnB, UNIFAP, UNILA,
UNIVASF, UNIPAMPA e UNIR.
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
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Políticas de ações afirmativas
A questão do ingresso e da permanência fez parte do segundo maior grupo de políticas
institucionalizadas pelas universidades públicas. A pesquisa identificou o estabelecimento de
políticas de ações afirmativas em 16 universidades, dispostas em 22 resoluções que tratam da
reserva de vagas para pessoas com identidades de gênero diversas, conforme disposto Erro!
Fonte de referência não encontrada.
13
.
Essas políticas foram destinadas, majoritariamente, às pessoas dos cursos de pós-graduação e
visam garantir essencialmente o acesso por meio de reserva de vagas. Em relação aos cursos de
graduação, tais políticas foram registradas apenas em cinco instituições: FURG, UFABC,
UFBA, UNIFAP e UNILAB
14
.
Cabe destacar que as políticas de ações afirmativas realizadas pelas universidades, de
forma geral, decorrem de uma exigência legal para os cursos de graduação e, até recentemente,
de uma orientação para os cursos de pós-graduação. A Lei n.º 12.711/2012
15
, que dispõe sobre
o ingresso nas universidades federais, estabeleceu a reserva de vagas para pessoas pretas,
pardas, indígenas e pessoas com deficiência nos cursos de graduação. No âmbito da pós-
graduação, o MEC emitiu a Portaria n.º 13/2016 de forma a induzir a reserva de vagas.
Entretanto, esse instrumento foi revogado durante o governo Bolsonaro pela Portaria n.º
545/2020 do MEC, que, após a reação negativa, também a revogou, tornando o documento de
2016 novamente válido. No entanto, em 9 de agosto de 2023, a Câmara dos Deputados aprovou
o PL n.º 5.384/2020
16
, que altera a Lei n.º 12.711/2012 de forma a tornar obrigatória a reserva
de vagas para os cursos de pós-graduação. Esse projeto, que estendeu a reserva de vagas
também a pessoas quilombolas, foi aprovado pelo Senado Federal e sancionado pela
Presidência da República na forma da Lei Ordinária n.º 14.723 em 13 de novembro de 2023.
O estabelecimento de vagas para além das identidades estabelecidas em lei demonstrou
um avanço, considerando a ausência de obrigação legal explícita para a elaboração dessas
13
Os documentos apresentados não refletem a totalidade das políticas existentes, visto que algumas dessas políticas
não eram específicas para o trato da temática, mas citavam problemáticas de gênero de maneira ampliada.
14
Foram consideradas apenas as universidades que institucionalizaram, por meio de resoluções, as políticas de
ações afirmativas.
15
A Lei n.º 13.409/2016 alterou o art. da Lei n.º 12.711/2012, passando a considerar também as pessoas com
deficiência.
16
Para mais informações, consulte:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposi
cao=2266069.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
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políticas voltadas a pessoas travestis, transexuais, não-binárias e com outras identidades de
gênero. Embora relevantes, mostraram-se insuficientes diante do total de universidades
federais. Uma pesquisa realizada pela Folha de São Paulo em 2019 identificou cotas para
pessoas transgêneros em 12
17
das 63 universidades até então existentes (Watanabe, 2019).
Desde então, foram identificadas a criação de, no mínimo
18
, mais oito políticas com reserva de
vagas pelas seguintes universidades: FURG, UFG, UFJF, UFMA, UFPE, UFSJ, UNIFAP e
UNIFESP.
Entre os instrumentos analisados, verificou-se que, na maioria das políticas, pessoas
travestis, transexuais e transgênero concorrem com outras minorias, como pessoas negras e
indígenas. Apenas cinco universidades destinam vagas exclusivas para essas identidades. Em
todos os casos, essas políticas contemplam pessoas travestis e transexuais, enquanto algumas
não mencionam a categoria transgênero. Esse fato gera incerteza sobre o público-alvo de
determinadas políticas, podendo ser, inclusive, uma escolha intencional, considerando os
recortes de cada identidade, nos quais pessoas travestis e transexuais estão entre as mais
marginalizadas socialmente (Benevides, 2023).
Entretanto, duas universidades mencionaram outras identidades além de travestis,
transexuais e transgênero, a UFABC e a UFMA. A primeira, embora não tenha mencionado a
identidade travesti em sua Política de Ações Afirmativas na Pós-Graduação stricto sensu,
abrangeu as pessoas intersexo. A segunda, ao instituir sua política, definiu pessoas trans como
aquelas formadas por pessoas travestis, transexuais, crossdressers e pessoas que se identificam
como terceiro gênero.
Como pode ser observado, todos os instrumentos até aqui analisados tratam
especificamente da diversidade de gênero. No entanto, a UnB, por meio da Resolução n.
11/2020 do Conselho Acadêmico, regulamentou o Programa de Atenção à Diversidade
(formado por auxílio financeiro, auxílio-refeição e acompanhamentos socioassistencial,
psicossocial e pedagógico), uma ação voltada para a permanência das pessoas estudantes da
graduação em condições de vulnerabilidade social emergencial de mulheres, pessoas negras,
indígenas, quilombolas ou LGBTQIA+.
17
As políticas da UNB, UFPR, UFSB, UFF, UFSC, UFRPE e UFRJ elencadas pela autora não foram consideradas
nesta pesquisa.
18
A pesquisa não considerou as reservas de vagas criadas por meio de editais, bem como possui como limitação
de pesquisa os instrumentos encontrados nos sites das universidades federais.
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
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Em 2022, por meio da Resolução COUNI n.º 263/2022, a UFGD inseriu estudantes
transexuais no rol de estudantes em condições que aumentam a vulnerabilidade
socioeconômica, os quais passaram a ter prioridade na concessão das verbas relativas ao
Programa Auxílio Emergencial (Estudantes em Cursos de Alternância) ao lado de pessoas com
deficiência, quilombolas, indígenas e discentes com filhos de 0 a 5 anos de idade.
Políticas de diversidade sexual e de gênero
A pesquisa identificou apenas dois instrumentos que tratam das sexualidades como
política institucional. A UFU e a UFABC abordaram as temáticas por meio de políticas de
diversidade sexual e de gênero (PDSG).
A política de diversidade sexual e de gênero da UFU foi estabelecida pela Resolução n.º
10/2019 do Conselho Universitário, com o objetivo de orientar a implementação de programas
e garantir o exercício da cidadania de pessoas LGBTQIA+
19
. Essa política abrange todas as
identidades de gênero e orientações sexuais que fogem à heteronormatividade e ao binarismo
de gênero. A PDSG da UFU estabelece uma série de princípios, entre eles: a garantia da
cidadania e da dignidade da pessoa humana; o respeito à diversidade de orientação sexual e
identidade de gênero, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou qualquer outra
forma de discriminação; o combate à LGBTfobia e a promoção da equidade para a população
LGBTQIA+. Além disso, inclui diretrizes voltadas à produção e difusão de informações e à
implementação de ações que incentivem o diálogo sobre preconceito e discriminação
relacionados à diversidade sexual e de gênero.
A resolução também instituiu os Programas de Acolhimento e Acompanhamento, de
Ensino, de Pesquisa e de Extensão e Cultura, atribuindo responsabilidades específicas às pró-
reitorias. Entre essas responsabilidades, destacam-se a atuação junto a coletivos estudantis, a
realização de ações de orientação para discentes e servidores, a promoção de campanhas de
acolhimento e respeito à Diversidade Sexual e de Gênero (DSG), o estímulo à pesquisa, a
criação e consolidação de núcleos, além do desenvolvimento de ações formativas e do apoio a
diversos projetos relacionados à DSG.
19
A publicação original utilizou o termo LGBT.
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A PDSG não só criou os programas, como atribuiu a responsabilidade e os objetivos (e
ações) a serem estabelecidos pela gestão universitária, dando ênfase para a comunidade
LGBTQIA+. Ademais, também foi determinada a criação da Comissão Permanente da Política
de Diversidade Sexual e de Gênero (CPDIVERSA)
20
, composta por um representante de todas
as pró-reitorias e dois representantes de pessoas discentes, de pessoas docentes e pessoas
técnico-administrativas.
Em 2022, a CPDIVERSA divulgou o relatório anual das atividades relacionadas à
Política de Diversidade Sexual e de Gênero, que incluiu, entre outras ações, a apresentação da
política de diversidade sexual e de gênero e da resolução sobre o uso do nome social na recepção
de novas pessoas discentes e servidoras, além da formação e capacitação das pessoas
servidoras
21
.
Outra política identificada durante a pesquisa foi a da UFABC, estabelecida por meio
da Resolução n.º 223/2022, com o objetivo de promover ações que garantam a dignidade, a
cidadania e os direitos humanos de pessoas LGBTQIA+ e mulheres, bem como combater o
preconceito, a discriminação, a intolerância e a supressão de direitos que limitam sua
participação na instituição. Assim como a UFU, a UFABC definiu os responsáveis e suas
atribuições, estruturando sua política em três eixos de atuação: Acolhimento e
Acompanhamento; Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura; e Gestão.
O conjunto das políticas analisadas revela iniciativas que asseguram os direitos à
comunidade LGBTQIA+ de diferentes formas, com ênfase nas identidades de gênero,
especialmente pessoas travestis e transexuais. No entanto, a análise dos documentos em
consonância com os direitos da CF e as orientações da Resolução n.º 15/2015 revelam ser
possível estender essas políticas para outras identidades.
Considerações finais
Essa pesquisa teve como objetivo analisar as principais políticas públicas de promoção
da diversidade de gênero e sexualidade institucionalizadas pelas universidades federais
brasileiras. No contexto dessas instituições, foram identificadas três principais políticas: o uso
20
A CPDIVERSA foi criada por meio da Portaria n. 1.175 da Reitoria em 29 de dezembro de 2020.
21
Os cursos de capacitação poderiam ser oferecidos de forma on-line pelas escolas de governo, por exemplo, pela
Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).
Política institucional de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras
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do nome social, as ações afirmativas (reserva de vagas) e as políticas de diversidade de gênero
e sexualidade.
A partir da análise documental e dos relatos, constatou-se que as universidades federais
inovaram em seus processos de promoção da diversidade de gênero e sexualidade antes mesmo
da publicação de decretos e portarias pelos ministérios do Governo Federal ou da resolução do
CNCD/LGBT. Embora ainda sejam poucas em relação ao total das universidades, é possível
afirmar que os avanços observados resultam da autonomia universitária garantida pela
Constituição Federal, aliada a outros instrumentos que fundamentam essas políticas, como a
Declaração de Direitos Humanos, os Princípios de Yogyakarta e a Lei de Diretrizes e Bases,
entre outros.
Embora não tenha sido objeto da pesquisa, foi registrado que todas as universidades
realizaram algum tipo de evento, campanha ou pesquisa relacionado à comunidade
LGBTQIA+. No entanto, apenas as políticas de uso do nome social foram regulamentadas
internamente na maior parte dos casos. Nesse quesito, foram identificados avanços também
relacionados às pessoas beneficiárias dessas políticas, passando a abranger especificamente, em
alguns casos, pessoas sem vínculos imediatos ou com vínculos indiretos com as universidades,
tais como pessoas visitantes e prestadoras de serviços.
No campo das políticas de ações afirmativas, as universidades parecem resistir à
ampliação daquelas voltadas às minorias reconhecidas pela Lei n.º 12.711/2012, ou seja,
pessoas pretas, pardas, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e aquelas que estão em
vulnerabilidade social, apesar de haver o reconhecimento dos processos de exclusão, violência
e resistências no que tange à comunidade LGBTQIA+, em especial, pessoas transgênero
(Benevides, 2023; Watanabe, 2019).
A pesquisa evidenciou ainda que a violência se expressa de forma mais intensa contra
pessoas com identidade de gênero diversa, corroborando com os estudos e as iniciativas de
defesa de pessoas não cisgênero.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
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DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 19
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2022.
WATANABE, Kelli Vergara. Inclusão de pessoas trans na UFPel: pelo direito de ser igual
quando a diferença inferioriza e ser diferente quando a igualdade descaracteriza. 2019. 166 f.
Dissertação (Mestrado em Administração Pública em Rede Nacional) Faculdade de
Administração e de Turismo, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2019. Disponível em:
http://guaiaca.ufpel.edu.br/handle/prefix/6467. Acesso em: 22 abr. 2022.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA e Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 21
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
Financiamento: Não há fomento de qualquer instituição.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho não demandou do Comitê de Ética por ser uma Pesquisa
Bibliográfica e Documental.
Disponibilidade de dados e material: Os dados coletados são públicos e disponíveis na
página oficial da Universidade lócus da pesquisa: Universidade Federal da Grande
Dourados (UFGD).
Contribuições dos autores: Trata-se de um trabalho onde a maioria dos dados são oriundos
da dissertação de Mestrado em Administração Pública (UFGD) intitulada Política
institucional de inclusão para a diversidade de gênero e sexual da Universidade Federal da
Grande Dourados de Fernando Soares da Silva (1° Autor). A orientação da dissertação de
mestrado ficou sob responsabilidade de Kellcia Rezende Souza (2° Autora). Cássia Cristina
Furlan (3° Autora) foi membro da banca de defesa da dissertação de mestrado e, também,
participou da elaboração do artigo, contribuindo com análises recentes sobre o tema em
questão que foram acrescidas para a publicação.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 1
INSTITUTIONAL GENDER AND SEXUALITY POLICY IN BRAZILIAN FEDERAL
UNIVERSITIES
POLÍTICA INSTITUCIONAL DE GÊNERO E SEXUALIDADE EM UNIVERSIDADES
FEDERAIS BRASILEIRAS
POLÍTICA INSTITUCIONAL DE GÉNERO Y SEXUALIDAD EN LAS
UNIVERSIDADES FEDERALES DE BRASIL
How to reference this paper:
SILVA, F. S.; SOUZA, K. R.; FURLAN, C.C. Política institucional
de gênero e sexualidade em universidades federais brasileiras.
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n.
00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441. DOI:
10.32930/nuances.v36i00.10848.
| Submitted: 02/11/2024
| Revisions required: 15/12/2024
| Approved: 14/01/2025
| Published: 17/03/2025
Editors:
Prof. Dr. Rosiane de Fátima Ponce
Deputy Executive Editor: Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Grande Dourados (UFGD), Dourados Mato Grosso do Sul (MS) Brazil.
Master’s in
public administration in National Network (UFGD). Graduated in Economic Sciences from Integrated Faculties
Antônio Eufrásio de Toledo (2005). Economist at the Federal University of Grande Dourados.
2
Federal University of Grande Dourados (UFGD), Dourados Mato Grosso do Sul (MS) Brazil. Doctoral degree
in School Education from the São Paulo State University - Unesp/Araraquara. Graduated in Physical Education
from UFG and Pedagogy from the Metropolitan University of Santos. He is a professor at the Faculty of Education
at UFGD and works in the Postgraduate Programs in Education and Public Administration at the same institution.
3
Federal University of Grande Dourados (UFGD), Dourados Mato Grosso do Sul (MS) Brazil.
Doctoral degree
in Education from the State University of Maringá. Graduated in Physical Education from the State University of
Maringá and Pedagogy from the Faculty Higher Education Institute of Paraná. He is a professor at the Faculty of
Education at UFGD and works in the Postgraduate Programs in Education and Public Administration at the same
institution.
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 2
ABSTRACT: Over the last century, themes such as gender and sexuality have gained notoriety,
strengthening social movements, such as feminist and LGBTQIA+ groups, which began to
influence academic productions and the consolidation of public policies. The university, as an
institution for the production and dissemination of knowledge, needs to be aware of these issues.
In this sense, this study aims to map the consolidation of institutional policies on gender and
sexuality diversity in Higher Education Institutions (HEIs) in the Brazilian context. It is
characterized as documentary research. The search carried out at federal universities identified
48 policies on the use of social names, 16 universities with affirmative action policies, and 2
gender and sexual diversity policies. The research revealed that university autonomy enables
advances in the rights of the LGBTQIA+ community, although prejudice still supports the lack
of policies in some Brazilian universities.
KEYWORDS: Gender inequality. Social inclusion policies. Higher education.
RESUMO: Ao longo do último século, temas como gênero e sexualidade têm ganhado
notoriedade, fortalecendo movimentos sociais, tais como grupos feministas e LGBTQIA+, que
passaram a influir nas produções acadêmicas e na consolidação de políticas públicas. A
universidade, como instituição de produção e difusão de conhecimentos, precisa estar atenta a
essas questões. Nessa direção, este estudo objetiva mapear a consolidação de políticas
institucionais de diversidade de gênero e sexualidade em Instituições de Educação Superior no
contexto brasileiro. Caracteriza-se como uma pesquisa documental. A busca realizada nas
universidades federais identificou 48 políticas de uso do nome social, 16 universidades com
políticas de ações afirmativas e 2 políticas de diversidade de gênero e sexual. A pesquisa
revelou que a autonomia universitária possibilita avanços dos direitos da comunidade
LGBTQIA+, embora o preconceito ainda respalde a inexistência de políticas em algumas
universidades brasileiras.
PALAVRAS-CHAVE: Desigualdade de gênero. Políticas de inclusão social. Educação
Superior.
RESUMEN: Resumen: A lo largo del último siglo, temas como género y sexualidad ganaron
notoriedad, fortaleciendo movimientos sociales, como los grupos feministas y LGBTQIA+, que
comenzaron a incidir en las producciones académicas y en la consolidación de políticas
públicas. La universidad, como institución de producción y difusión de conocimiento, necesita
ser consciente de estas cuestiones. En este sentido, este estudio tiene como objetivo mapear la
consolidación de políticas institucionales sobre diversidad de género y sexualidad en las
Instituciones de Educación Superior (IES) en el contexto brasileño. Se caracteriza por ser una
investigación documental. La búsqueda realizada en universidades federales identificó 48
políticas sobre el uso de nombres sociales, 16 universidades con políticas de acción afirmativa
y 2 políticas de nero y diversidad sexual. La investigación reveló que la autonomía
universitaria permite avances en los derechos de la comunidad LGBTQIA+, aunque los
prejuicios aún sustentan la falta de políticas en algunas universidades brasileñas.
PALABRAS-CLAVE: Desigualdad de género. Políticas de inclusión social. Educatión
universitária.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA and Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 3
Introduction
Gender and sexuality are discussed in different historical periods and in different
societies. In recent history, we saw these themes gain strength from the 1960s onwards (Louro,
2012; Muszkat, 2020). Since then, groups of women and lesbians, gays, bisexuals, transgenders,
queers
4
, intersex, asexuals and other people with non-heterosexual or cisgender
5
identities
(LGBTQIA+) have promoted important debates that have helped to build theories and re-
signify the concept of gender (Tilio, 2014; Butler, 2003), making it possible to recognize non-
heterosexual identities (Miskolci, 2015).
The demand for political agendas for gender and sexual diversity is historic. However,
for social changes to occur and prejudices to be broken, issues of gender and sexual diversity
must be included in the learning processes of educational institutions. Such agendas are relevant
for investigation within the institutional structure of the university due to the violence exercised
against LGBTQIA+ subjects (Brasil, 2023; Cerqueira; Ferreira; Bueno, 2021; Benevides, 2023)
and the fact that, in the current Brazilian context, governments and conservative groups advance
agendas against gender equality and combating discrimination based on sexual orientation
included in the Federal Constitution (CF) of Brazil (Brasil, 1988) and other instruments related
to human rights. Furthermore, it is necessary to investigate how public policies for gender and
sexual diversity are [re]produced and implemented in educational institutions, especially in
public universities, as they are institutions that represent the role of the State in society,
enabling, in turn, the promotion of values that respect the Brazilian and international legal
system. Thus, this research aimed to map the consolidation of institutional policies on gender
and sexuality diversity in Higher Education Institutions in the Brazilian context.
In this direction, the research was based on a qualitative approach based on the
development of bibliographic and documentary research (Marconi; Lakatos, 2021). The
documentary survey took place in two stages. First, an email was sent to the 67 federal
universities listed on the website of the National Association of Directors of Federal Higher
Education Institutions (ANDIFES), with the exception of the Federal University of Grande
4
Queer is an English word that can be translated as strange in Portuguese. The term, which was used pejoratively
to refer to people with a different gender identity or sexual orientation, began to be used by social movements.
Currently, this word can be used to refer to the entire LGBTQIA+ community, as an umbrella term, or as an
identity for those who do not feel represented by the movement's lyrics (Mardell, 2017).
5
Cisgender or cis is a person who has a gender identity identical to that assigned to them at birth (Mardell, 2017).
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 4
Dourados (UFGD), as there was internal institutional research regarding the existence of
public policies on gender and/or sexual diversity aimed at the LGBTQIA+ community. Of the
institutions consulted, 18
6
responded to the inquiry regarding the existence of public policies
related to gender and sexuality diversity. Of these, 11 universities stated that they have a
formalized institutional policy. However, the responses sent via email were not precise
regarding the instruments, although affirmative action policies and the use of social names were
mentioned, as well as the existence of bodies addressing the issue. With the exception of the
Federal University of Recôncavo da Bahia, all other universities indicated having a research
center focused on gender and/or sexual diversity issues.
This first phase also identified that 17 institutions have some type of institutionalized
body that varies between study centers (5), coordinations (4), boards (2), committees (3),
commissions (2) and sector (1). The UFGD, the place where this research was produced, also
presents some institutionalized policies and an institutionalized body (Studies Center) to deal
with the topic.
The second stage involved consulting university websites through the use of recurrent
terminological variations in the field of research on the topic: Sexual, Homop, Homos, LGBT,
Gender, Lesbian, Gay, Prejudice and Discrimination. It is worth noting that it was not possible
to use the descriptors homop and homos on some institutional websites, requiring the use
of the full terms: homossexualidade, homosexuais/l, homofobia and homofóbicos
7
. In
some cases, the use of the term sexual did not result in any publications containing the term
transsexual/ais/idade. In this case, we also use the full terms. This survey was carried out in
July 2023.
The research mixed searches in the search field on the main website and searches on
specific pages dedicated to publishing resolutions and regulations. After identifying the main
policies, we used the Google search engine to carry out particular searches on policies on the
use of social names, affirmative actions, and gender and sexual diversity.
6
They responded to the email: 1- Federal University of Latin American Integration (UNILA), 2- Federal
University of Alfenas (UNIFAL), 3- Federal University of Itajubá (UNIFEI), 4- Federal University of Lavras
(UFLA), 5 - Federal University of Mato Grosso do Sul (UFMS), 6- Federal University of Pelotas (UFPel), 7-
Federal University of Santa Maria (UFSM), 8- Federal University of São Paulo (UNIFESP), 9- Federal University
of Uberlândia (UFU), 10- Federal University of ABC (UFABC), 11- Federal University of Cariri (UFCA), 12-
Federal University of Espírito Santo (UFES), 13- Federal University of Northern Tocantins (UFNT), 14-
UniversityFederal University of Recôncavo da Bahia (UFRB), 15- Federal University of Rio Grande (FURG), 16-
Federal University of Rio Grande do Norte (UFRN), 17- Federal University of Vale do São Francisco (UNIVASF)
and 18- University of Brasília (UNB).
7
In English the terms would be: homosexuality, homosexuals, homophobia and homophobic.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA and Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 5
The institutional documents collected in the official media of Brazilian federal
universities regarding their gender and sexuality policies, due to their specificities, were
subdivided into three groups: social name use policies, affirmative action policies and sexual
and gender diversity policies.
The analysis of these documents was also supported by the analysis of the main legal
instruments related to the topic, in particular the Federal Constitution, Ordinance no. 233/2010
of the Ministry of Planning (MPOG), Ordinance no. 1,612/2011 of the MEC, Decree no.
8,727/2016 and CNCD-LGBT Res. 12/2015.
The procedures for processing the data results were carried out with the help of the
Content Analysis Method by analytical categories (Bardin, 2016). The analytical lens used in
the research was queer theory. According to Spargo (2017, p. 13, our translation), this theory
“[...] is not a unique or systematic conceptual or methodological framework, but rather a
collection of intellectual engagements with the relationships between sex, gender and sexual
desire”. This political movement made it possible to systematize new theoretical perspectives
on the phenomenon of sexual and gender diversity.
Institutional gender and sexual diversity policies at Brazilian federal universities
The 1988 CF, combined with human rights, allowed and promoted advances in
discussions and the construction of paths for public policies aimed at gender equality. It is under
the demands of social movements and collectives that diversity begins to be built. The gender,
initially discussed at the request of women, gained new contours based on the demands of black
women and lesbians, intersecting with the agendas of the LGBTQIA+ movement and also
inserting the discussion on sexual diversity.
Gender identities are not static, they go through a continuous process of construction
and transformation, and [...] in their social relations, crossed by different discourses, symbols,
representations and practices, subjects construct themselves as masculine or feminine [non-
binary and/or other expressions of gender identity], arranging and disarranging their social
places, their dispositions, their ways of being in the world (Louro, 2012, p. 32, our translation).
As for the concept of sexual diversity, it is not something fixed and must be considered
an expanding notion, as the forms of expression of sexuality and the variety of sexual practices
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 6
are historical constructions (Torres, 2013, p. 8). Torres (2013, p. 11) adopts the term
sexualities, in the plural, to signal the existence of heterosexualities, homosexualities,
lesbianities, transsexualities and other forms of sexuality that are yet to be constructed, making
it impossible to synthesize the forms of expression or sexual practices of the subjects, even if
heterosexuality is treated as a norm (Butler, 2003).
In Brazil, a predominantly Christian country, the representation of sexual intercourse is
based on the heterosexual model (Torres, 2013), referred to by Judith Butler as the
heterosexual matrix
8
(Butler, 2003) and as compulsory heterosexuality
9
or mandatory
heterosexuality by American lesbofeminist Adrienne Rich (Butler, 2003). However,
understanding the sexualities of gays, lesbians and transsexuals can result in the questioning
and refusal of this naturalization, revealing possibilities beyond heterosexuality.
In this context, it is necessary to be attentive to how the State deals with issues of gender
and sexual diversity and how public policies are developed and implemented, seeking to look
at the main epistemological and historical contributions that Gender Studies make in the social
construction of the gender to the detriment of biological sex and different sexualities (beyond
the norm). In this sense, forms of oppression and violence based on gender and sexual diversity
have been the subject of political, theoretical and academic discussions at various levels of
society, encompassing social movements, NGOs and public institutions.
Looking at public policies within the scope of Federal Education Institutions is an
important step in the search for understanding how these rights are consolidated (or not) in these
instances. Today, Brazil has 69 federal universities located mainly in the northeast and
southeast regions (Brasil, 2023).
We carried out a mapping of institutionalized policies in IES aimed at sexual and gender
diversity. The way universities deal with these issues essentially occurs through administrative
bodies, committees or commissions. In total, we identified at least one institutionalized policy
in 50 of the 68 public universities surveyed. These instruments are displayed in Chart 1 below.
8
Term created from the notions of sexual contract, by Monique Wittig, and compulsory heterosexuality, by
Adrienne Rich, and used to [...] designate the grid of cultural intelligibility through which bodies, gender and
desires are naturalized (Butler, 2003, p. 215-216, our translation). According to Brosin and Tokarski (2017), this
expression targets the maintenance of a heterogeneous sex that is significantly separated in two different ways.
9
Term coined by Adrienne Rich in the article Compulsory heterosexuality and the Lesbian experience (1980)
original in English: Compulsory heterosexuality and lesbian experience. This study is considered by many
people as [...] the first discussion to explain heterosexuality not as something natural, but rather the result of a set
of social practices that impose it as the 'correct' way of relating lovingly and sexually (Miskolci, 2015, p. 14, our
translation).
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA and Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 7
Chart 1 Normative instruments on policies for the use of social names, affirmative actions
and sexual and gender diversity policies
Universities
10
Normative Instruments
social name
Affirmative actions
Sexual and Gender
Diversity Policies
UFABC
Res. No. 105/2011 from the
Teaching, Research and
Extension Council
Res. No. 190/2018 from the
Univesity Council - Reservation
of spots for transgender people in
interdisciplinary courses at
UFABC.
Res. No. 223/2022 from
the Univesity Council -
Establishes the Sexual
and Gender Diversity
Policy at UFABC.
Res. No. 78/2021 from the
Graduate Council - Affirmative
Action Policy for access and
retention in the stricto sensu
graduate programs at UFABC.
UFAC
Res. No. 07/2016 from the
Univesity Council
UFAM
Res. No. 08/2015 from the
Univesity Council
UFBA
Res. No. 01/2014 from the
Teaching, Research, and
Extension Council.
Res. No. 01/2017 of the
Academic Council of Teaching -
procedures, announcements, and
reservations of spots for selection
processes in the stricto sensu
graduate programs at UFBA.
Res. No. 07/2018 of the
Academic Council of Teaching -
reservation of spots in the
selection process for
undergraduate courses at UFBA.
UFC
Res. No. 32/2013 from the
Univesity Council
10
Federal University of ABC (UFABC); Federal University of Acre (UFAC); Federal University of Amazonas
(UFAM); Federal University of Bahia (UFBA); Federal University of Ceará (UFC); Federal University of
Campina Grande (UFCG); Federal University of the Semi-Arid (UFERSA); Federal University of Espírito Santo
(UFES); Fluminense Federal University (UFF); Federal University of Fronteira Sul (UFFS); Federal University
of Goiás (UFG); Federal University of Juiz de Fora (UFJF); Federal University of Lavras (UFLA); Federal
University of Maranhão (UFMA); Federal University of Minas Gerais (UFMG); Federal University of Mato
Grosso (UFMT); Federal University of Ouro Preto (UFOP); Federal University of Pará (UFPA); Federal
University of Pernambuco (UFPE); Federal University of Piauí (UFPI); Federal University of Paraná (UFPR);
Federal Rural University of the Amazon (UFRA); Federal University of Recôncavo da Bahia (UFRB); Federal
University of Rio Grande do Sul (UFRGS); Federal University of Rio Grande do Norte (UFRN); Federal Rural
University of Pernambuco (UFRPE); Federal University of Roraima (UFRR); Federal Rural University of Rio de
Janeiro (UFRRJ); Federal University of Southern Bahia (UFSB); Federal University of Santa Catarina (UFSC);
Federal University of São Carlos (UFSCar); Federal University of São João del-Rei (UFSJ); Federal University of
Santa Maria (UFSM); Federal University of Tocantins (UFT); Federal University of Uberlândia (UFU); Federal
University of Viçosa (UFV); Federal University of the Jequitinhonha and Mucuri Valleys (UFVJM); University
of Brasília (UNB); Federal University of Alfenas (UNIFAL); Federal University of Amapá (UNIFAP); Federal
University of São Paulo (UNIFESP); Federal University of Latin American Integration (UNILA); University of
International Integration of Afro-Brazilian Lusofonia (UNILAB); Federal University of Pampa (UNIPAMPA);
Federal University of Rondônia (UNIR); Federal University of the State of Rio (UNIRIO); Federal University of
Vale do São Francisco (UNIVASF); Federal University of Rio Grande (FURG); Federal University of the South
and Southeast of Pará (UNIFESSPA); Federal University of Grande Dourados (UFGD).
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 8
UFCG
Res. No. 14/2016 from the
Univesity Council
UFERSA
Res. No. 01/2014 from the
Univesity Council
UFES
Res. No. 23/2022 from the
Univesity Council
UFF
Res. No. 160/2013 from the
Univesity Council
UFFS
Res. n. 11/2016 from the
Univesity Council
UFG
Res. No. 14/2014 from the
Univesity Council
11
Res. No. 07/2015 from the
Univesity Council - Affirmative
Action Policy in the stricto sensu
Graduate Programs at UFG.
UFJF
Res. No. 06/2015 from the
Univesity Council
Res. No. 67/2021 from the
Higher Council - Affirmative
Action Policy in the stricto sensu
Graduate Programs at UFJF.
UFLA
Res. No. 50/2022 from the
Univesity Council
UFMA
Res. No. 242/2015 from the
Univesity Council
Res. No. 3,058/2023 from the
Teaching, Research, Extension,
and Innovation Council -
Affirmative Action Policy in the
free stricto sensu or lato sensu
Graduate Programs at UFMA.
UFMG
Res. No. 09/2015 from the
Univesity Council
UFMT
Res. No. 01/2011 from the
Univesity Council
Res. No. 197/2021 from the
Teaching, Research, and
Extension Council - Affirmative
Action Policy in the Graduate
Programs at UFMT.
UFOP
Res. No. 1,765/2015 from the
Univesity Council
UFPA
Res. No. 731/2014 from the
Univesity Council
UFPE
Normative Ordinance No.
02/2016 from the Rectory.
Res. No. 17/2021 from the
Teaching, Research, and
Extension Council - Affirmative
Action Policy in the stricto sensu
Graduate Programs at UFPE.
UFPI
Res. No. 03/2015 from the
Univesity Council
UFPR
Res. No. 29/2015 from the
Teaching, Research and
Extension Council
UFRA
Res. No. 315/2019 from the
Higher Administration
Council.
UFRB
Res. No. 01/2015 from the
Univesity Council
Res. No. 33/2018 from the
Academic Council - Racial
quotas for access and affirmative
11
This resolution is also used by the Federal University of Catalão (UFCat) and the Federal University of Jataí
(UFJ). These universities are not included in the general table as they were separated from the UFG and used the
same resolution.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA and Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 9
actions in the graduate programs
at UFRB.
UFRGS
Res. No. 506/2014 from the
Univesity Council
Res. No. 01/2021 from the PPG
in Languages Council -
Reservation of spots for
admission to master's and
doctoral programs and other
provisions.
Res. No. 15/2023 from the
University Council - Affirmative
Action Program for stricto sensu
and lato sensu graduate programs
at UFRGS.
UFRN
Res. No. 232/2012 from the
Teaching, Research, and
Extension Council.
UFRPE
Res. No. 021/2015 from the
Univesity Council
UFRR
Res. No. 06/2015 from the
Univesity Council
UFRRJ
Deliberation No. 73/2016 from
the University Council.
UFSB
Res. No. 19/2015 from the
Univesity Council
UFSC
Res. No. 59/2015 from the
Univesity Council
UFSCar
Res. No. 780/2014 from the
Univesity Council
UFSJ
Res. No. 04/2015 from the
Univesity Council
Res. No. 25/2022 from the
University Council - Affirmative
Action Policy in the context of
stricto sensu graduate programs
at UFSJ.
UFSM
Res. No. 10/2015 from the
Univesity Council
UFT
Normative Ordinance No.
402/2015 from the Rectory.
UFU
Res. No. 01/2015 from the
Univesity Council
Res No. 10/2019 from
the University Council -
Sexual and Gender
Diversity Policy of
UFU.
UFV
Res. No. 13/2013 from the
Teaching, Research, and
Extension Council.
UFVJM
Res. No. 37/2017 from the
Teaching, Research, and
Extension Council.
UNB
Res. No. 54/2017 from the
Administration Council.
Res. No. 11/2020 from the
Administration Council -
Diversity Care Program of UnB.
UNIFAL
Res. No. 27/2016 from the
Univesity Council
UNIFAP
Res. No. 13/2009 from the
Univesity Council
Res. No. 21/2022 from the
University Council - Affirmative
Action Policy of UNIFAP.
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 10
UNIFESP
Res. No. 127/2016 from the
Univesity Council
UNILA
Res. No. 11/2016 from the
Univesity Council
UNILAB
Res. No. 114/2023/Res. n.
31/2014 from the Univesity
Council
Res No. 40/2021 from the
University Council - Affirmative
Action Program of UNILAB.
UNIPAMPA
Res. No. 61/2013 from the
Univesity Council
UNIR
Res. No. 425/2016 from the
Higher Academic Council.
UNIRIO
Res. No. 4.781/2017 from the
Univesity Council
UNIVASF
Res. No. 08/2022 from the
Univesity Council
FURG
Res. No. 20/2013 from the
University Council - Affirmative
Action Program in undergraduate
courses.
Res. No. 04/2019 from the
University Council - Affirmative
Action Program in graduate
courses.
UNIFESSPA
Res. No. 534/2021 from the
Higher Council of Teaching,
Research, and Extension -
Affirmative Action Policy in
graduate courses at UNIFESSPA.
UFGD
Res. No. 243/2016 from the
Council of Teaching, Research,
Extension, and Culture -
Ensures the use of social name
for students.
Res. No. 412 - Development and
implementation of programs and
actions to ensure access and
retention of students in on-
campus undergraduate courses.
Res. No. 413 - Establishes the
new Student Assistance Policy
for Graduate Studies at UFGD.
Res. COUNI No. 263/2022 -
Transgender students included in
the list of students in conditions
that increase socioeconomic
vulnerability.
Source: prepared by the authors.
The research carried out at these universities identified 73 documents that deal with the
policy on the use of social names, the affirmative action policy, and the gender and sexual
diversity policy more broadly.
Social names use policies
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA and Cássia Cristina FURLAN
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 11
The main instruments found cover the use of the social name. The right to use one’s
social name and the recognition of gender identity in the federal public administration was first
guaranteed for public servants by Ordinance no. 233/ 2010 of the MPOG and, only years later,
the use of the social name by students was regulated by Decree no. 8,727/2016. Although all
normative instruments of federal universities were formulated with the same essence as the
Ordinance and Decree, ensuring the use of the social name, four institutions explicitly instituted
them as a Social Name Use Policy: Federal University of Pernambuco (UFPE), Federal
University of Alfenas (UNIFAL), Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS) and
Federal University of Roraima (UFRR).
The pioneer in institutionalizing the use of social names for students was UNIFAP,
including ensuring that forms, surveys, registration forms and questionnaires consider gender
identity and sexual orientation to assist with internal inclusion policies. Since then, several
institutions have established regulations on the subject. The research identified 48 documents
that govern the use of social names in 50 federal universities, in which the identities covered,
the public for which each policy is intended, and the basis used were identified.
It was found that the policies implemented through resolutions mostly covered
transvestites and transsexuals (21), transvestites, transsexuals and transgender people (6),
transgender people (1), transvestites, transsexuals, non-binary people and transgender people
(1) and transvestites, transsexuals, intersex and transgender (1) and did not specify or use the
term people
12
(18).
In relation to the recipients of the policies, the instruments promoted rights mainly for
students and public servants, but also addressed visitors, interns, substitute teachers, volunteers
and service providers, including outsourced workers. All policies established rights for
students, but only 25.0% of them exclusively. The others also attributed rights to servants and
other users. Policies aimed at students and teachers occur in 41.7%, while in other institutions,
around 33.3%, extended the established rights to other users.
In the case of public servants, it is worth noting that 17 universities established that the
use of the social name would be carried out in accordance with Ordinance no. 233/2010 of the
Ministry of Planning (MPOG)
13
. However, this instrument, as well as Decree no. 8,727/2016,
12
All institutions that did not specify or use the term persons, including those that dealt with other identities.
We understand that, in this context, specific identities are ways of making identities visible and/or exemplifying
them.
13
On this occasion, the Ministry of Planning, Budget and Management.
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
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uses only transvestite and transsexual identities. Although the CF and other instruments allow
us to infer that these instruments are also applicable to other identities, we believe that this is a
limitation in relation to other gender identities that can be used by conservative managers to
deny rights.
In the case of UNIFESP, although the terms transvestites and transsexuals were
adopted in Resolution no. 127/2016 based on its institutional commitments to combat
discrimination related to gender identity and expression, and Resolution no. 12/2015, the
institution expanded identities through Ordinance no. 3,492 of the Rectory, a document that
provided for the use of spaces segregated by gender to be used freely according to gender
identity.
This instrument stood out for its expansion of gender identities, as well as its guidelines.
The main characteristics of the instrument were: guaranteeing the use of spaces according to
gender identity in those spaces where there is segregation by gender; the identification of
bathrooms as freely accessible according to gender identity; the implementation of individual
or gender-neutral bathrooms in renovations or new construction; the use of neutral language
through the word person(s) in institutional communications, including website, notices,
forms, official ceremonies, among others; the prioritization of the term gender over sex
whenever possible in registration forms and the use of filling options such as trans woman,
cis woman, trans man, cis man, transvestite , non-binary gender and others.
Furthermore, use the descriptor intersex when the use of the category sex is unavoidable,
as well as giving preference to the term filiation instead of mother and father; carrying
out educational campaigns to publicize the measures adopted.
The specification of transgender, cisgender, transvestite, non-binary and other identities
highlights the differences between identities and, although it may seem to reinforce socially
constructed identities, it actually reveals their plurality. For Butler, there is no way to live
without gender norms, since people want to fit into existing identities and the aim is to allow
people to exist freely (Butler, 2021).
The use of spaces segregated by gender was also addressed through the social name use
policies at UFAC, UFES, UFRGS, UFPE, UFRR, UFSB, UFSCar, UFSJ, UNIFAL, UNILAB
and UNIVASF, many of them showing that the policy applies to toilets and changing rooms.
The use of these spaces is fundamental to guaranteeing the rights and inclusion of people
with different gender identities, who are often expelled from these places. The resistance that
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comes from the risks of using bathrooms by trans people is not supported by any concrete data.
In fact, transsexuals are people who are morally and physically violated in these spaces when
they are prevented from accessing a place according to their gender identity (Benevides, 2023).
This is even one of the parameters established by the CNCD-LGBT. Based on art. 3rd of Res.
n. 12/2015, which states that the use of bathrooms, changing rooms and other spaces
segregated by gender, if any, must be guaranteed, according to the gender identity of each
subject, this item was included in these policies.
Regarding the LGBTIQA+ community, access occurs not only in relation to the use of
physical spaces in gender-segregated environments but also affects how these people fit into
the social context. The policy of using the social name is not enough to change the university
space; other measures are necessary that need to guarantee the right of access and permanence
of transgender students in order to allow them to complete their studies (Prado; Altmann, 2023).
Several universities explained, as a justification in the elaboration of their policies on
the use of social names, the search for a guarantee of entry, and/or permanence and/or
combating evasion. This fact was verified in UFABC, UFBA, UFC, UFCG, UFFS, UFMS,
UFOP, UFPR, UFRA, UFRB, UFRN, UFSJ, UFSM, UFT, UFU, UFVJM, UnB, UNIFAP,
UNILA, UNIVASF, UNIPAMPA and UNIR.
Affirmative action policies
The issue of admission and permanence was part of the second-largest group of policies
institutionalized by public universities. The research identified the establishment of affirmative
action policies in 16 universities, set out in 22 resolutions that deal with the reservation of places
for people with different gender identities, as set out above
14
. These policies were mainly aimed
at people on postgraduate courses and essentially aimed to guarantee access through reservation
of places. In relation to undergraduate courses, such policies were only registered in five
institutions: FURG, UFABC, UFBA, UNIFAP and UNILAB
15
.
It is worth noting that the affirmative action policies carried out by universities, in
general, result from a legal requirement for undergraduate courses and, until recently, from
14
The documents presented do not reflect all existing policies, as some of these policies were not specific to
addressing the issue, but cited gender issues in an expanded manner.
15
Only universities that institutionalized, through resolutions, affirmative action policies were considered.
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
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guidance for postgraduate courses. Law 12,711/2012
16
, which provides for admission to federal
universities, established the reservation of places for black, mixed-race, indigenous people, and
people with disabilities in undergraduate courses. In the scope of postgraduate studies, the MEC
issued Ordinance no. 13/2016 to induce the reservation of vacancies. However, this instrument
was revoked during the Bolsonaro government by Ordinance no. 545/2020 of the MEC, which,
after the negative reaction, also revoked it, making the 2016 document valid again. However,
on August 9, 2023, the Chamber of Deputies approved PL n. 5,384/2020, which amends Law
no. 12,711/2012 in order to make the reservation of places for postgraduate courses mandatory.
This project, which extended the reservation of vacancies to quilombola people, was approved
by the Federal Senate and sanctioned by the Presidency of the Republic in the form of Ordinary
Law no. 14,723 on November 13, 2023.
The establishment of vacancies beyond the identities established by law demonstrated
progress considering the absence of an explicit legal obligation to develop these policies aimed
at transvestites, transsexuals, non-binary people, and people with other gender identities.
Although necessary, they turned out to be very few compared to the total number of federal
universities. A survey carried out by Folha de São Paulo in 2019 identified quotas for
transgender people in 12
17
of the 63 existing universities (Watanabe, 2019). Since then, the
creation of at least
18
eight more policies with reserved places have been identified by the
following universities: FURG, UFG, UFJF, UFMA, UFPE, UFSJ, UNIFAP and UNIFESP.
Among the instruments analyzed, it was found that, in most policies, transvestites,
transsexuals, and transgender people compete with other minorities, such as black people,
indigenous people, etc., with only five universities offering exclusive vacancies for these
identities. In all cases, these policies were aimed at transvestites and transsexuals, while some
did not mention the transgender category. This fact raises doubts regarding the recipients of a
given policy and may even be intentional, given the aspects of each identity, whereby
transvestites and transsexuals are the most socially marginalized (Benevides, 2023).
However, two universities mentioned identities other than transvestites, transsexuals,
and transgender, UFABC and UFMA. The first, although it did not mention transvestite identity
16
The Law No. 13,409/2016 changed art. 3rd of Law no. 12,711/2012, now also considering people with
disabilities.
17
The policies of UNB, UFPR, UFSB, UFF, UFSC, UFRPE and UFRJ listed by the author were not considered
in this research.
18
The research did not consider vacancy reserves created through notices, nor did it include the instruments found
on the websites of federal universities as a research limitation.
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA and Cássia Cristina FURLAN
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in its Affirmative Action Policy in Postgraduate Studies stricto sensu, covered intersex people.
The second, when establishing its policy, defined trans people as those made up of transvestites,
transsexuals, crossdressers and people who identify as third gender.
As can be seen, all the instruments analyzed so far specifically address gender diversity.
However, UnB, through Resolution No. 11/2020 of the Academic Council, regulated the
Diversity Attention Program (consisting of financial aid, meal assistance and socio-assistance,
psychosocial and pedagogical support), an action aimed at the permanence of undergraduate
students in conditions of emergency social vulnerability of women, black, indigenous,
quilombola or LGBTQIA+ people.
In 2022, through COUNI Resolution n. 263/2022, the UFGD included transgender
students in the list of “students in conditions that increase socioeconomic vulnerability”, which
now have priority in granting funds related to the Emergency Aid Program (Students in
Alternation Courses) alongside people with disabilities, quilombolas, indigenous people and
students with children aged 0 to 5 years old.
Sexual and gender diversity policies
The research identified only two instruments that deal with sexualities as institutional
policy. UFU and UFABC addressed the issues through Sexual and Gender Diversity Policies
(PDSG).
The UFU's sexual and gender diversity policy was established through Resolution No.
10/2019 of the University Council to guide the implementation of programs and guarantee the
exercise of citizenship by LGBTQIA+
19
people, covering all gender identities and sexual
orientations outside of heteronormativity and gender binarism. The UFU PDSG establishes a
series of principles that guarantee citizenship and human dignity, respect for diversity of sexual
orientation and gender identity without prejudice based on origin, race, sex, color, age, and any
other forms of discrimination; combating LGBTphobia and equity for LBBTQIA+ pollution,
in addition to other principles relating to the production and dissemination of information and
actions aimed at opening up dialogue on prejudice and discrimination, relating to sexual and
gender diversity.
19
The original publication used the term LGBT.
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
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The resolution also established the Reception and Monitoring Programs, the Teaching
Program, the Research Program, and the Extension and Culture Program, assigning specific
responsibilities to the vice-rectors, such as working in student collectives and providing
guidance to students and staff, with campaigns to welcome and respect Sexual and Gender
Diversity (DSG), encourage research, create and consolidate centers, training actions and
support for various projects on DSG.
The PDSG not only created the programs, but also assigned responsibility and objectives
(and actions) to be established by university management, placing emphasis on the LGBTQIA+
community. Furthermore, the creation of the Permanent Commission for Sexual and Gender
Diversity Policy (CPDIVERSA)
20
was also determined, composed of a representative of all
vice-rectorates and two representatives of students, teaching staff and technical-administrative
staff.
In 2022, the CPDIVERSA released the annual report on activities related to the sexual
and Gender Diversity Policy, which included, among other actions, the presentation of the
policy and the resolution on the use of the social name in the reception of new students and
employees and the training and qualification of employees
21
.
Another policy discovered during the research was that adopted by UFABC, established
through Resolution No. 223/2022, with the purpose of promoting actions that guarantee the
dignity, citizenship, and human rights of LGBTQIA+ people and women and combat prejudice,
discrimination, intolerance and the suppression of rights that restrict the participation of these
people in the institution. Like the UFU, the UFABC established the responsibilities of each of
them and defined three areas of action: Reception and Monitoring; Teaching, Research,
Extension, and Culture; and Management.
The set of policies analyzed reveals initiatives that guarantee rights to the LGBTQIA+
community in different ways, with an emphasis on gender identities, especially transvestites
and transsexuals. However, the analysis of documents in line with CF rights and the guidelines
of Resolution No. 15/2015 reveals that it is possible to extend these policies to other identities.
20
The CPDIVERSA was created through Ordinance no. 1,175 from the Rectory on December 29, 2020.
21
Training courses could be offered online by government schools, for example, by the National School of Public
Administration (ENAP).
Fernando Soares da SILVA, Kellcia Rezende SOUZA and Cássia Cristina FURLAN
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Final considerations
This research sought to analyze the set of central public policies to promote gender and
sexual diversity institutionalized by Brazilian federal universities. In the context of federal
universities, we identified the following as the main institutionalized policies: policies on the
use of social names; affirmative action policies (reserving vacancies); and gender and sexual
diversity policies.
Through the analyzed documents and reports, we verified that federal universities
innovated in their processes of promoting gender and sexual diversity even before the drafting
of decrees and ordinances by Federal Government ministries or the resolution, in this case, of
the CNCD/LGBT. Although there were few in relation to the total number of universities, it is
possible to affirm that the advances observed result from the university autonomy guaranteed
by the CF in conjunction with other instruments that support the central policies found, such as
the Declaration of Human Rights, the Principles of Yogyakarta, the Law of Guidelines and
Bases, among others.
Although it was not the subject of the research, we recorded that all universities carried
out some type of event, campaign, or research related to the LGBTQIA+ community. However,
only social name use policies were internally regulated in most cases. In this regard, advances
were also identified related to the people who benefit from these policies, specifically covering,
in some cases, people without immediate ties or with indirect ties to universities, such as visitors
and service providers.
In the field of affirmative action policies, universities seem to resist the expansion of
those aimed at minorities already recognized by Law no. 12,711/2012, that is, black, brown,
indigenous people, quilombolas, people with disabilities, and those who are socially vulnerable,
despite there being recognition of the processes of exclusion, violence and resistance regarding
the LGBTQIA+ community, especially people transgender (Benevides, 2023; Watanabe,
2019).
The research also showed that violence is expressed more intensely against people with
different gender identities, corroborating studies and initiatives to defend non-cisgender people.
Institutional gender and sexuality policy in Brazilian federal universities
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025002, 2025. e-ISSN: 2236-0441
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10848 18
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: The Federal University of Grande Dourados (UFGD).
Funding: There is no support from any institution.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The work did not require the Ethics Committee as it was Bibliographic
and Documentary Research.
Data and material availability: The data collected is public and available on the official
page of the University where the research took place: Federal University of Grande
Dourados (UFGD).
Authors contributions: This is a work in which most of the data comes from the Master’s
dissertation in Public Administration (UFGD) entitled “Institutional Inclusion Policy for
gender and sexual diversity at the Federal University of Grande Dourados” by Fernando
Soares da Silva (1st Author). The supervision of the Master’s thesis was the responsibility
of Kellcia Rezende Souza (2nd Author). Cássia Cristina Furlan (3rd Author) was a member
of the defense committee for the Master’s thesis and also participated in the preparation of
the article, contributing with recent analyses on the topic in question that were added for
publication.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, normalization and translation