
Renata Faria Araujo e Patrícia Cristina Albieri de Almeida
Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 36, n. 00, e025003, 2025. e-ISSN: 2236-0441.
DOI: 10.32930/nuances.v36i00.10881 15
Alguns pontos podem ser considerados apenas como possibilidades, sem justificar os
fatos. Primeiramente, na visão das professoras, a leitura pode estar atrelada à escrita. Dessa
forma, quando mencionam a leitura, podem estar fazendo referência à escrita também. Talvez
isso justifique o fato de que, ao elaborarem o quadro geral do CoRe, as professoras tenham
achado melhor citar a escrita e unirem às opiniões pessoais que mencionavam apenas a leitura
como habilidade a ser incentivada pela crônica.
Outra análise pode ser feita conjecturando que as professoras veem potencial para a leitura
e talvez até invistam mais nessa prática; porém, não têm alcançado tanto êxito, o que acaba por
despertar nos alunos um prazer maior pela escrita, em contrapartida. Ou, quem sabe, supor que,
para as professoras, a leitura é uma prática mais distante e, portanto, deve-se investir mais, o
que justifica maior preocupação. Em contrapartida, na visão dos alunos, podemos supor que a
escrita é uma prática não muito agradável a princípio e que a crônica, de alguma forma, os
auxiliou no processo de desenvolvimento do gosto por essa habilidade, ou mesmo que a prática
desenvolvida pelas professoras incentivou, de certa forma, a escrita mais do que a leitura,
contrariando as expectativas delas.
Nesse momento, é importante considerar outro ponto de interesse desta pesquisa, que diz
respeito ao desenvolvimento do uso da língua a partir do trabalho com crônica. Em outras
palavras, o quanto o uso da crônica no ensino médio favorece o ensino da gramática. Nesse
aspecto, as professoras citam a reescrita do próprio texto do aluno ao relatarem como trabalham
a competência linguística. Por outro lado, os alunos não citam, em nenhum momento, a reescrita
como prática significativa para o desenvolvimento das habilidades linguísticas, embora
reconheçam, ainda que com certa dificuldade, o ensino de gramática por meio da produção
textual, o que não é necessariamente um problema, visto que afirmam que o acompanhamento
das professoras durante a produção do texto os auxilia a pensar a própria gramática, trazendo
alteridade para esse aprendizado.
A reescrita, segundo as professoras, é uma prática bastante significativa e importante para
que o aluno desenvolva a competência gramatical, tendo em vista, como já mencionado, a
aprendizagem no próprio texto. Tanto as docentes quanto os alunos destacam aulas mais leves
e dinâmicas para esse aprendizado, o que se torna mais um forte motivador para o uso em sala
de aula, considerando as características dos adolescentes na modernidade.
É importante ressaltar que a combinação dos dados coletados das professoras e dos
alunos, visando explicitar os elementos constituintes do PCK das professoras de Língua
Portuguesa no que se refere particularmente ao trabalho com o gênero crônica no ensino médio,