PIERRE BOURDIEU E O PODER SIMBÓLICO PARTE I: OS PASSOS TEÓRICOS DA SOCIOLOGIA CRÍTICA

Marcos Faccioli Gabriel

Resumo


Pierre Bourdieu construiu sua sociologia ao pôr em questão o estatuto científico da ciência social, o qual oscila entre a aparência do que se põe como “dado”, como no positivismo, e a teoria marxista do “reflexo” que punha a ideologia, ou poder simbólico, sob a determinação dos interesses materiais das classes sem esclarecer como isto se dava na mecânica molecular dos operadores práticos, ou seja, por uma obscura ação à distância. Superar estes hiatos requereu que o autor empreendesse uma reforma do conceito sociológico, deixando o conceito substancialista, ou por abstração, e passando ao conceito funcional. Assim, a sociologia pode incorporar a posição científica propriamente da dúvida radical que põe fora de vigência o “dado”; doravante, problemas e conceitos sociológicos deveriam ser construídos. Surge, desse modo, o conceito de poder simbólico construído funcionalmente e os conceitos correlatos de campo, habitus e uma noção flexível, nuançada e derivada funcionalmente a partir da economia, de capital simbólico, pela qual a estrutura dos campos é homológa à hierarquia social econômica, mas se legitima de modo autônomo e se impõe por critérios de competência e credenciais com um mínimo dispêndio de energia ou de violência explícita, reproduzindo princípios de classificação ou operando a afirmação cognitiva de relações de força necessárias à reprodução social.


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