BRINCANDO DE “SER SATERÉ-MAWÉ”: CONTEXTOS LÚDICOS DIVERSIFICADOS COMO ELEMENTOS DE CONSTRUÇÃO DAS CULTURAS INFANTIS.

Roberto Sanches Mubarac Sobrinho

Resumo


O presente artigo consiste na apresentação dos resultados da pesquisa realizada junto à comunidade indígena da etnia Sateré-Mawé – a partir de uma inserção participante e de viés etnográfico em seus contextos cotidianos. A comunidade pesquisada se localiza em uma área urbana na cidade de Manaus, estado do Amazonas, Brasil, tendo como sujeitos um grupo de 12 crianças entre 04 e 12 anos que durante 08 meses foram nossas interlocutoras e nos evidenciaram, através de diversas linguagens – desenhos, escrita, fala, músicas e brincadeiras – como elas vivem e constroem suas culturas da infância, tendo tanto os elementos tradicionais da cultura de seu povo quanto as diversas influências do meio urbano, elencados nos seus “jeitos de viver” sua cultura de maneira lúdica. O texto reflete juntamente com as crianças a importância da valorização da cultura Sateré-Mawé através das brincadeiras, dos desenhos, das músicas tradicionais e da língua, e como neste “lugar fronteiriço” – o espaço urbano – são construídas estratégias para garantir seus “jeitos” próprios de ser indígenas, de viver e construir suas culturas da infância, de ser da etnia Sateré-Mawé e, ainda de se relacionar com o “mundo” e a escola do “branco”. A pesquisa nos demonstrou a importância de olhar e compreender a infância sob a ótica das crianças Sateré-Mawé, entendendo que neste grupo indígena o conceito de infância é bastante distinto dos conceitos veiculados nos espaços acadêmicos, e o quanto, a partir desta compreensão, passamos a respeitar os seus modos de viver como crianças. Não aquela criança que se enquadra nos padrões das sociedades de consumo e que tem no brinquedo industrial e na mídia, a definição da imagem de si mesma. Mas, a visão das próprias crianças, que ao valorizarem suas culturas lúdicas, mostraram-nos o quanto vale a pena ser diferente num mundo que tanto impõe a padronização. Elas nos ensinaram que viver a infância é uma atividade plena e que se constrói nas relações mais intensas vividas no dia a dia cujas brincadeiras são fundamentais. Nada mais rico do que aprender com elas a olhar o mundo. Nada mais fascinante do que caminhar pelos seus imaginários. Aos que se encorajarem nessa “aventura”, a ida é sem volta, felizmente, pois ao escutarmos o que elas têm a nos dizer, jamais seremos os mesmos. Mais do que acompanhá-las nessa trajetória, aprendemos com elas e seu povo, que todo esse movimento, representa uma possibilidade diária de lutarem pelo direito social de ser quem são. O desafio está lançado, o texto é um convite a “entrarmos” nos seus mundos infantis.


Palavras-chave


Brincadeiras, Culturas Infantis, Crianças Indígenas

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DOI: https://doi.org/10.14572/nuances.v27i3.4570


Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia/Unesp - Presidente Prudente.

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