O LUGAR DA INTERPRETAÇÃO NA METODOLOGIA DE PESQUISA SOCIAL

Ana Archangelo

Resumo


Este artigo foi elaborado a partir de um esforço de sistematização de algumas questões referentes à pesquisa que se propõe a estudar fenômenos sociais tendo a psicanálise como aporte teórico-metodológico. As idéias defendidas aqui se articulam em torno de um diálogo com o texto de Clarke (2002) e da reflexão sobre uma experiência de pesquisa relacionada ao campo da Educação. Entre outros aspectos, Clarke discute o papel da entrevista na pesquisa, e defende que a interpretação psicanalítica não tem lugar no momento da entrevista; interpretação é dos dados coletados. A tese central neste trabalho, ao contrário, defende a relevância da interpretação da transferência estabelecida no processo de entrevista, guardados, evidentemente, alguns cuidados. Isso permite um vínculo diferenciado entre pesquisador e pesquisado, pois ligado à comunicação inconsciente que se estabelece entre eles. Permite ainda a melhor delimitação do objeto de pesquisa e contribui para a compreensão da dinâmica social que se quer investigar. Para isso, é preciso que o pesquisador faça uso de alguns procedimentos metodológicos originados na psicanálise, mas não exclusivos dela. A discussão final conclui que ao introduzir o inconsciente na investigação de questões sociais, o pesquisador introduziu-se a si mesmo como sujeito do inconsciente e precisa construir instrumentos metodológicos capazes de apreender os conteúdos determinados pela interação entre os inconscientes e a temática da pesquisa.


Palavras-chave


psicanálise; metodologia de pesquisa; pesquisa social; interpretação; transferência.

Texto completo:

ARTIGO


DOI: https://doi.org/10.14572/nuances.v15i16.176


Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia/Unesp - Presidente Prudente.

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